Trump ameaça ilhas em Hormuz que dão poder ao Irã – 14/04/2026 – Mundo

Trump ameaça ilhas em Hormuz que dão poder ao Irã


Os Estados Unidos reforçaram suas forças no Oriente Médio nas últimas semanas, em meio ao vaivém no discurso do presidente Donald Trump sobre encerrar a guerra contra o Irã. Antes do cessar-fogo ser anunciado, mais de 5.000 fuzileiros navais, paraquedistas e membros das forças especiais chegaram à região, aumentando a possibilidade de uma invasão terrestre, já levantada pelo republicano.

Trump também já ameaçou invadir o principal centro de exportação de petróleo do Irã, a ilha de Kharg, e “destruir” suas instalações caso o Irã não permitisse a retomada do tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz. O Irã praticamente fechou o estreito após ser atacado pelos EUA e por Israel e, mesmo após a trégua, nesta segunda (22), a passagem foi bloqueada por ordem de Trump.

Caso Trump ordenasse uma invasão à ilha de Kharg, as forças anfíbias dos EUA —que, segundo especialistas, provavelmente fariam parte de qualquer operação terrestre— teriam que avançar cerca de 800 km no golfo Pérsico. “Isso seria muito arriscado”, disse Mark Cancian, consultor sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais e coronel aposentado da Marinha. “É por isso que acho que abrir o estreito pode ser a primeira medida.”

Autoridades americanas afirmam que o presidente também avaliou a possibilidade de tomar ilhas localizadas no estreito e nas proximidades, em uma tentativa de abrir a via navegável, que, em tempos normais, transporta grande parte do petróleo e do gás do mundo.

Com postos avançados militares em várias ilhas, bem como na costa, o Irã pode rapidamente cobrir as estreitas rotas marítimas com drones, mísseis antinavio e lanchas de ataque rápido.

Dado o poder de fogo do Irã, os Estados Unidos teriam que capturar todo o conjunto de ilhas para tentar abrir o estreito, disse Farzin Nadimi, pesquisador sênior do Instituto de Washington, incluindo as ilhas de Qeshm, Larak, Abu Musa e Tunb. “Eles precisam tomar todas elas”, disse ele.

Os Estados Unidos enviaram 2.000 paraquedistas, bem como forças de operações especiais, para a região. Se desembarcassem nas ilhas, poderiam desmantelar redes de túneis e bases subterrâneas de mísseis que são “inacessíveis até mesmo para bombas antibunker”, disse Nadimi.

Os comandantes precisariam decidir se destruiriam as instalações e se retirariam, ou se manteriam o controle das ilhas por mais tempo para ajudar a proteger o estreito. Isso também poderia oferecer aos EUA uma vantagem nas negociações com o Irã.

Mas permanecer por mais tempo exigiria fuzileiros navais fortemente equipados e defesas aéreas para protegê-los contra drones, mísseis e foguetes iranianos lançados da costa. Isso seria uma “operação de alto risco e com muitas baixas”, disse Nadimi.

Uma operação terrestre por si só não garantiria que o tráfego de embarcações retornasse ao estreito em números significativos.

“É preciso tranquilizar os marinheiros, as empresas de navegação e as seguradoras de que é seguro o suficiente para navegar por lá”, disse Andreas Krieg, professor sênior da Escola de Estudos de Segurança do King’s College London.

Mesmo com a tomada de uma ou várias ilhas dentro ou perto do estreito, a Ilha de Kharg teria um valor estratégico significativo para Trump.

Cerca de 90% do petróleo iraniano é exportado a partir da ilha, e os intensos ataques dos EUA lá em março não interromperam os embarques de petróleo. Imagens de satélite mostraram que os petroleiros continuaram a se abastecer nos terminais de exportação da ilha nos dias seguintes aos ataques.

Especialistas afirmam que uma tomada da ilha de Kharg pelos EUA colocaria uma pressão significativa sobre a economia iraniana. “É o calcanhar de Aquiles da infraestrutura de exportação de petróleo do regime”, disse Behnam Ben Taleblu, diretor sênior do Programa Irã da Fundação para a Defesa das Democracias.

Mas qualquer tentativa de desembarcar tropas americanas na ilha também seria perigosa devido ao seu terreno montanhoso e à presença militar. O petróleo inflamável armazenado lá representa ameaças próprias.

Especialistas alertam que o Irã poderia adotar uma política de terra arrasada, destruindo as instalações petrolíferas na ilha em vez de permitir que as forças americanas as capturassem. E para o governo Trump, há riscos políticos.

Se os fuzileiros navais tomassem uma ilha, mas não conseguissem forçar a rendição iraniana, qualquer eventual retirada poderia parecer uma derrota. E se tentassem manter o controle de alguma ilha, o Irã provavelmente tentaria transformar isso em uma guerra de desgaste.

“O que eles [iranianos] querem é o máximo de baixas entre os americanos, porque isso cria o tipo de imagem que mudará a opinião pública nos EUA”, disse Krieg.



Fonte CNN BRASIL

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