Trump combate programas de equidade racial em escolas – 28/08/2025 – Mundo

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Chicago é um campo de testes para algumas das principais ideias da esquerda sobre raça e educação. Os sistemas escolares na cidade e nos subúrbios próximos estão tentando contratar mais professores negros do sexo masculino, ampliar o ensino de história negra e treinar docentes em conceitos como privilégio branco.

Algumas dessas políticas têm um forte histórico de melhoria na aprendizagem dos alunos, enquanto outras carecem de um histórico significativo. Mas para o governo Trump, tudo isso poderia ser contra a lei.

Agora, distritos escolares com programas destinados a apoiar estudantes negros, entre outros, se encontram legalmente vulneráveis. A Casa Branca vem revertendo o papel tradicional do governo federal em questões de raça e educação, perseguindo o que chama de “DEI ilegal” —sigla em inglês para diversidade, equidade e inclusão.

A gestão federal está usando o Escritório de Direitos Civis do Departamento de Educação, que foi originalmente criado para proteger minorias raciais e étnicas, para tentar acabar com programas destinados justamente para beneficiar esses mesmos estudantes.

Por meio de decretos, investigações e ameaças de corte de financiamento, o governo colocou na defensiva o que antes era um movimento bipartidário para abordar o legado da escravidão e do racismo. Mesmo estados de tendência republicana como Flórida e Mississippi têm programas de recrutamento de professores destinados, em parte, a diversificar a força de trabalho —uma ideia que a administração chamou de ação afirmativa ilegal.

Por 20 anos, pesquisas demonstraram que os estudantes têm melhor desempenho acadêmico quando seus professores compartilham elementos de sua identidade racial, cultural ou linguística. Cientistas sociais, formuladores de políticas e pais também destacam a ausência de modelos masculinos diversos como um problema diante das dificuldades acadêmicas e de saúde mental enfrentadas por meninos.

Mas na última década, muitos conservadores começaram a pressionar por políticas sem recortes de raça. Agora, advogados da gestão Trump estão argumentando que, quando líderes escolares direcionam recursos para grupos raciais que permanecem para trás, eles discriminam aqueles que tradicionalmente estiveram à frente.

Em nenhum lugar o potencial impacto dessa disputa é mais evidente do que em Illinois. O Departamento de Educação anunciou investigações de direitos civis em dois dos sistemas escolares mais proeminentes do estado, em Chicago e na cidade universitária próxima de Evanston, acusando-os de violar a lei ao concentrar esforços de melhoria escolar em crianças não brancas.

Os conservadores esperam que os casos estabeleçam precedentes que possam alcançar escolas e outras instituições nacionalmente.

Kimberly Hermann, presidente da Southeastern Legal Foundation, o grupo conservador que entrou com uma ação judicial e uma queixa federal contra o distrito escolar em Evanston, reconheceu que muitos líderes educacionais acreditam que programas conscientes em relação à questão racional ajudarão estudantes desfavorecidos.

“Às vezes você pode ter um objetivo nobre”, disse ela, “mas não pode implementá-lo de uma maneira que viole as leis.”

‘Libertador’ ou ‘ilegal’

Neste ano, as escolas públicas de Chicago implementarão o que chamam de Plano de Sucesso para Estudantes Negros. Ele prevê dobrar o número de professores negros do sexo masculino contratados até 2029, reduzir punições disciplinares contra estudantes negros, ampliar o ensino de história negra e matricular mais crianças negras em cursos avançados.

Sarah Parshall Perry, vice-presidente da Defending Education, um grupo jurídico conservador que apresentou uma queixa federal contra o plano, argumentou que, ao se concentrar tanto nos estudantes negros, Chicago corria o risco de ignorar as necessidades de outros grupos, como estudantes hispânicos.

Crianças negras representam 34% dos estudantes do distrito, enquanto crianças hispânicas correspondem a quase metade.

“Acho que muitas dessas escolas têm boas intenções, mas são mal aconselhadas”, disse Perry. “Em seu esforço para nivelar o campo de jogo para um grupo específico, elas não conseguiram atender às necessidades de todos os estudantes.”

A teoria do Plano de Sucesso para Estudantes Negros é que os esforços para ajudar crianças negras ajudarão a todos. O distrito chama essa abordagem de “universalismo direcionado”, dizendo que “metas ambiciosas podem ser alcançadas por todos os estudantes se priorizarmos aqueles que estão mais distantes da oportunidade”. E afirma que o plano requer “pensamento libertador” para “interromper a desigualdade sistêmica”.

Há pesquisas promissoras que mostram melhorias nas notas e na frequência.

Ao norte de Chicago, o distrito 65, que supervisiona escolas de ensino fundamental e médio nos diversos subúrbios de Evanston e Skokie, vem promovendo esforços semelhantes há anos. Oferece um programa afrocêntrico e matriculou todos os estudantes em Álgebra I no oitavo ano, anteriormente um curso avançado onde estudantes negros e hispânicos estavam sub-representados.

Mas foram os treinamentos antirracistas para professores que transformaram o distrito em alvo do governo Trump.

Uma professora de teatro branca no sistema escolar, Stacy Deemar, apresentou várias queixas legais acusando o distrito de criar um “ambiente racialmente carregado”, em parte por exigir participação em treinamentos sobre privilégio branco e fragilidade branca, às vezes em “grupos de afinidade” segregados por raça.

A gestão Trump abriu uma investigação sobre o distrito em resposta à queixa de Deemar. Ela é representada pela Southeastern Legal Foundation.

Defensores desses treinamentos afirmam que ele ajuda pessoas brancas a se tornarem conscientes de crenças e comportamentos discriminatórios, como um professor punir um aluno negro mais severamente do que um branco pela mesma infração.

Mas algumas pesquisas sugerem que o treinamento pode despertar ressentimento entre brancos e se tornar contraproducente, às vezes até reforçando estereótipos raciais.

O distrito relatou uma diminuição em incidentes comportamentais graves, cerca de 50% menos no período de dois anos. E, desde 2021, a porcentagem de estudantes que atendem aos padrões estaduais em matemática e leitura cresceu. Mas também houve desafios, com muitos dos graduados do distrito tendo que refazer álgebra no ensino médio.

O distrito 65 se recusou a responder perguntas específicas sobre seus programas de equidade racial, dizendo que não poderia fazê-lo devido à investigação em andamento. “A queixa deturpa as iniciativas legais e importantes de aprendizagem profissional e focadas nos estudantes do nosso distrito”, disse em um comunicado.

Uma batalha jurídica crescente

Independentemente de os programas de equidade racial funcionarem para melhorar a aprendizagem dos estudantes, a Casa Branca considera muitos deles ilegais.

O governo cita um artigo da Lei dos Direitos Civis, que busca prevenir a discriminação baseada em raça, para argumentar que discussões sobre privilégio branco e racismo estrutural violam a lei ao criar ambientes hostis cheios de estereótipos raciais. Chama grupos de discussão de raça única ou sexo único de “atividades segregacionistas”.

A gestão também apresentou uma nova tese jurídica: como a Suprema Corte proibiu a ação afirmativa nas admissões universitárias, nenhuma instituição educacional, em qualquer nível, pode direcionar benefícios para qualquer grupo racial.

Um juiz federal rejeitou parte desses argumentos em agosto, afirmando que a decisão de 2023 sobre ação afirmativa não restringia currículos escolares. Ele também suspendeu uma das tentativas da Casa Branca de reter financiamento de escolas e faculdades com esforços de diversidade e equidade, por considerar violação da liberdade de expressão.

Mas o governo poderia recorrer, e a questão provavelmente irá para a Suprema Corte nos próximos anos. Vários juízes conservadores já expressaram interesse em abordar o assunto.

As escolas públicas de Chicago não responderam a perguntas sobre por que estavam mantendo sua abordagem com critérios raciais.



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