O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (13) que cancelou qualquer diálogo com autoridades do Irã e instou manifestantes a “tomarem as instituições” do país.
“Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR — TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guarde os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]”, escreveu Trump na rede Truth Social, com as habituais letras maiúsculas.
A publicação de Trump eleva os receios de uma nova intervenção militar americana contra um rival, pouco mais de uma semana após ataque dos EUA a Caracas e captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
O Qatar, país cuja monarquia se aproximou do governo Trump e que se firmou como mediador de conflitos recentes na região, afirmou nesta terça que uma escalada militar entre os EUA e o Irã teria consequências graves para a região.
O Irã havia dito nesta segunda-feira (12), um dia após o americano dizer que avaliava respostas à violenta repressão aos protestos no país, que mantém o diálogo aberto com os EUA. A mais recente onda de manifestações representa um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979.
No domingo (11), o republicano afirmou que os EUA poderiam se reunir com autoridades iranianas e que estava em contato com a oposição. Ao mesmo tempo, porém, aumentou a pressão sobre os líderes da República Islâmica, inclusive ameaçando com uma possível ação militar em resposta à violência contra os manifestantes.
A conta oficial do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, chegou a compartilhar nas redes sociais uma charge que mostra Trump como um sarcófago destroçado. O desenho é acompanhado da frase: “Ele também será derrubado”.
Cerca de 2.000 manifestantes morreram no Irã desde 28 de dezembro, quando começou a atual onda de protestos contra o regime, segundo um membro do próprio regime afirmou à agência de notícias Reuters, culpando o que chamou de terroristas pela escalada da violência.
O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou nesta terça-feira que está horrorizado com o aumento da repressão contra manifestantes. “Esse ciclo de violência não pode continuar. O povo iraniano e suas demandas por justiça, igualdade e equidade precisam ser ouvidos”, disse em um comunicado.
Os protestos tomaram as ruas de diversas cidades do país em meio à degradação da economia e do rial, a moeda iraniana. Comerciantes no Bazar de Teerã e outros grandes mercados do país, importantes esteios da Revolução Iraniana, voltaram-se contra o regime diante da degradação econômica e inflação.
Teerã tem acusado Israel e os EUA de soprarem as chamas dos protestos, ao mesmo tempo que se diz aberta ao diálogo e que convoca manifestações pró-regime para fazer frente aos atos críticos aos aiatolás.
A repressão, no entanto, segundo organizações de direitos humanos, segue intensa, com milhares de presos e relatos de que as mortes ultrapassam os 6.000.
O apagão quase total da internet imposto pelas autoridades iranianas dificulta a checagem e o acesso à informação. Segundo a ONG Netblocks, o bloqueio do acesso à internet já ultrapassa 108 horas. Defensores de direitos humanos acusam a República Islâmica de tentar restringir e censurar a divulgação de imagens dos protestos.
Um jornalista da agência de notícias AFP relatou que, embora o apagão da internet continue, a conexão telefônica internacional foi restabelecida nesta terça-feira.




