Trump e assessores não esperavam resposta agressiva do Irã à guerra – 12/03/2026 – Mundo

Trump e assessores não esperavam resposta agressiva do Irã à


No dia 18 de fevereiro, enquanto o presidente Donald Trump avaliava se deveria lançar ataques militares contra o Irã, Chris Wright, secretário de Energia, disse a um entrevistador que não estava preocupado com a possibilidade de a guerra iminente interromper o fornecimento de petróleo no Oriente Médio e causar estragos nos mercados.

Mesmo durante os ataques israelenses e americanos contra o Irã em junho passado, disse Wright, houve pouca perturbação nos mercados. “Os preços do petróleo subiram brevemente e depois voltaram a cair”, afirmou.

Alguns dos outros assessores de Trump compartilhavam opiniões semelhantes em particular, descartando alertas de que o Irã poderia travar uma guerra econômica fechando rotas marítimas que transportam cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo.

A extensão desse erro de cálculo ficou evidente nos últimos dias, quando o Irã ameaçou disparar contra navios petroleiros comerciais que transitam pelo estreito de Hormuz, o ponto de estrangulamento estratégico pelo qual todos os navios devem passar ao sair do golfo Pérsico.

Em resposta às ameaças iranianas, o transporte marítimo comercial parou no Golfo, os preços do petróleo dispararam, e o governo Trump correu para encontrar maneiras de conter uma crise econômica que provocou aumento nos preços da gasolina para os americanos.

O episódio é emblemático de quanto Trump e seus assessores avaliaram mal como o Irã responderia a um conflito que o regime em Teerã vê como uma ameaça existencial. O Irã respondeu de forma muito mais agressiva do que durante a guerra de 12 dias em junho passado, disparando rajadas de mísseis e drones contra bases militares americanas, cidades em nações árabes por todo o Oriente Médio e centros populacionais israelenses.

Autoridades americanas tiveram que ajustar planos às pressas, desde ordenar a evacuação de embaixadas até desenvolver propostas de políticas para reduzir os preços da gasolina.

Depois que autoridades do governo Trump fizeram uma reunião a portas fechadas com parlamentares na terça-feira (10), o senador democrata Christopher Murphy disse nas redes sociais que o governo “NÃO TINHA PLANO” para o estreito de Hormuz e “não sabia como reabri-lo com segurança”.

Dentro do governo, algumas autoridades estão ficando pessimistas com a falta de uma estratégia clara para encerrar a guerra. Mas têm sido cuidadosas em não expressar isso diretamente ao presidente, que tem declarado repetidamente que a operação militar é um sucesso completo.

Trump estabeleceu metas maximalistas, como insistir que o Irã nomeie um líder que se submeta a ele, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, descreveram objetivos mais restritos e táticos que poderiam fornecer uma saída no curto prazo.

Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, disse que o governo “tinha um plano de ação sólido” antes de a guerra começar, e prometeu que os preços do petróleo cairiam após seu término.

“A interrupção proposital no mercado de petróleo pelo regime iraniano é de curto prazo e necessária para o ganho de longo prazo de eliminar esses terroristas e a ameaça que representam para a América e o mundo”, disse ela em comunicado.

Esta reportagem é baseada em entrevistas com uma dúzia de autoridades americanas, que pediram anonimato para discutir conversas privadas.

“Mostrem coragem”

Hegseth reconheceu na terça-feira que a resposta feroz do Irã contra seus vizinhos pegou o Pentágono um pouco desprevenido. Mas insistiu que as ações do Irã estavam sendo contraproducentes.

“Não posso dizer que necessariamente antecipamos que seria exatamente assim que eles reagiriam, mas sabíamos que era uma possibilidade”, disse Hegseth em uma entrevista coletiva no Pentágono. “Acho que foi uma demonstração do desespero do regime.”

Trump demonstrou crescente frustração com a forma como a guerra está interrompendo o fornecimento de petróleo, dizendo à Fox News que as tripulações dos petroleiros deveriam “mostrar coragem” e navegar pelo estreito de Hormuz.

Alguns assessores militares alertaram antes da guerra que o Irã poderia lançar uma campanha agressiva em resposta e veria o ataque americano-israelense como uma ameaça à sua existência. Mas outros assessores permaneceram confiantes de que matar a liderança sênior do Irã levaria líderes mais pragmáticos a assumir o poder e possivelmente encerrar a guerra.

Quando Trump foi informado sobre os riscos de que os preços do petróleo poderiam subir em caso de guerra, ele reconheceu a possibilidade, mas minimizou como uma preocupação de curto prazo que não deveria ofuscar a missão de decapitar o regime iraniano. Ele orientou Wright e o secretário do Tesouro Scott Bessent a trabalharem no desenvolvimento de opções para um possível pico nos preços.

Mas o presidente não falou publicamente sobre essas opções —incluindo seguro de risco político apoiado pelo governo americano e a possibilidade de escoltas da Marinha dos EUA— até mais de 48 horas após o início do conflito. As escoltas ainda não aconteceram.

À medida que o conflito abalou os mercados globais, republicanos em Washington ficaram preocupados com o aumento dos preços do petróleo prejudicando seus esforços para vender uma agenda econômica aos eleitores antes das eleições de meio de mandato.

Trump, tanto publicamente quanto em particular, tem argumentado que o petróleo venezuelano poderia ajudar a resolver quaisquer choques vindos da guerra com o Irã. O governo anunciou na terça-feira uma nova refinaria no Texas que, segundo autoridades, poderia ajudar a aumentar o fornecimento de petróleo, garantindo que o Irã não cause nenhum dano de longo prazo aos mercados de petróleo.

Uma possível saída

Trump disse tanto que a guerra poderia durar mais de um mês quanto que estava “muito completa, praticamente”. Ele também disse que os EUA “seguiriam em frente mais determinados do que nunca”.

Rubio e Hegseth, no entanto, parecem ter coordenado suas mensagens por enquanto em torno de três objetivos específicos que começaram a apresentar em declarações públicas na segunda (9) e terça-feira.

“Os objetivos desta missão são claros”, disse Rubio em um evento no Departamento de Estado na segunda-feira, antes de Trump realizar sua própria entrevista coletiva. “É destruir a capacidade deste regime de lançar mísseis, tanto destruindo seus mísseis quanto seus lançadores; destruir as fábricas que fabricam esses mísseis; e destruir sua Marinha.”

O Departamento de Estado até apresentou os três objetivos em formato de tópicos e destacou um videoclipe de Rubio declarando-os em uma conta oficial de mídia social.

A apresentação de Rubio, que também é conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, parecia estar preparando o terreno para o presidente encerrar a guerra mais cedo do que tarde. Em sua coletiva de imprensa, Trump se gabou de como os militares americanos já haviam destruído a capacidade de mísseis balísticos do Irã e sua marinha. Mas também alertou para ações ainda mais agressivas se os líderes iranianos tentassem cortar o fornecimento de energia mundial.

Matthew Pottinger, que foi vice-conselheiro de segurança nacional no primeiro governo Trump, disse em entrevista que o presidente americano havia indicado que poderia decidir perseguir objetivos de guerra ambiciosos que levariam pelo menos algumas semanas.

“Em sua entrevista coletiva, pude ouvi-lo voltando a uma justificativa para lutar um pouco mais, dado que o regime ainda está sinalizando que não será dissuadido e ainda está tentando controlar o estreito de Hormuz”, disse Pottinger, agora presidente do programa sobre China na Fundação para Defesa das Democracias, um grupo que defende uma parceria próxima dos EUA com Israel e confronto com o Irã.



Fonte CNN BRASIL

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