O rei Charles recebeu Donald Trump nesta quarta-feira, (17) quando começou a histórica segunda visita de Estado do presidente dos Estados Unidos ao Reino Unido, marcada por pompa sem precedentes, forte esquema de segurança, investimentos em tecnologia e protestos planejados.
Trump e sua esposa, Melania, chegaram ao Castelo de Windsor —o castelo habitado mais antigo e maior do mundo, residência da família real britânica há quase 1.000 anos. O tratamento de gala incluiu procissão em carruagem, salvas de canhão, sobrevoo militar e um banquete suntuoso.
O Reino Unido afirma que será a maior recepção militar cerimonial para uma visita de Estado em memória recente.
Trump, um fã declarado da realeza, nunca escondeu sua satisfação em ser não apenas o primeiro líder dos EUA, mas também o primeiro político eleito a ser convidado por um monarca britânico para duas visitas.
Ao chegar, disse a jornalistas que amava o Reino Unido. “É um lugar muito especial”, afirmou.
O primeiro-ministro Keir Starmer espera usar esse sentimento a favor da Grã-Bretanha, enquanto seu governo busca consolidar a “relação especial” entre os dois países, aprofundar laços econômicos, garantir bilhões de dólares em investimentos, discutir tarifas e pressionar o presidente norte-americano sobre Ucrânia e Israel.
A visita já rendeu um novo pacto tecnológico entre as duas nações, com empresas como Microsoft, Nvidia, Google e OpenAI prometendo 31 bilhões de libras (US$ 42 bilhões) em investimentos no Reino Unido nos próximos anos, em inteligência artificial, computação quântica e energia nuclear civil.
Starmer também quer avanços em tarifas.
“Basicamente, estarei lá também por causa do comércio. Eles querem ver se podem refinar um pouco o acordo comercial”, disse Trump, ao deixar a Casa Branca rumo ao Reino Unido na terça-feira.
“Gostariam de ver se conseguem um acordo um pouco melhor, então vamos conversar com eles.”
Mas, enquanto Starmer aposta no fascínio incomparável da realeza para conquistar o presidente, muitos riscos permanecem para o premiê britânico.
Pesquisas mostram que Trump é impopular no Reino Unido e Starmer, enfrentando queda acentuada em sua própria popularidade e dificuldades econômicas, precisará demonstrar que jogar sua “carta real” trará benefícios.
Perguntas incômodas sobre o falecido agressor sexual Jeffrey Epstein também podem vir à tona.
Na semana passada, Starmer demitiu Peter Mandelson do cargo de embaixador britânico em Washington devido a seus laços com Epstein —o que pode levantar questionamentos tanto para Starmer quanto para Trump, cuja própria relação com o financista também foi alvo de escrutínio.
Embora a segurança para a visita fosse rígida, com uma grande operação policial em Windsor, manifestantes realizaram um protesto na cidade na terça-feira. Quatro pessoas foram presas após projetarem imagens de Donald Trump ao lado do financista Jeffrey Epstein nas paredes do Castelo de Windsor.
Entre as projeções estava uma carta na qual Trump se refere a Epstein como amigo e deseja que “cada dia seja outro segredo maravilhoso”. O texto aparece acompanhado do desenho de uma silhueta feminina nua. Além disso, foram exibidas em Windsor imagens de vítimas de Epstein, recortes de reportagens sobre o caso e trechos de relatórios policiais.
Embora Trump peça a seus apoiadores que “sigam em frente” sobre o assunto, o interesse público por detalhes dos crimes de Epstein e por possíveis envolvidos permanece alto.
Também são esperados grandes protestos em Londres nesta quarta-feira, com 1.600 policiais mobilizados para conter uma manifestação da “Stop the Trump Coalition”.
A quarta-feira será dominada pela pompa. Trump e sua esposa, Melania, foram recebidos pelo “muito bonito” príncipe William —como o presidente já o chamou— e pela esposa do herdeiro, Kate.
Charles e sua esposa, a rainha Camilla, que pôde comparecer após se recuperar de uma sinusite, se juntarão então aos Trumps em uma procissão de carruagem pelos terrenos do castelo, com a rota ladeada por 1.300 militares britânicos.
A família real mostrará ao presidente e à primeira-dama itens históricos da Royal Collection relacionados aos EUA, antes de os norte-americanos visitarem a Capela de São Jorge —local do túmulo da rainha Elizabeth, que recebeu Trump em sua primeira visita de Estado em 2019— onde ele depositará uma coroa de flores.
Mais tarde, haverá um sobrevoo de aeronaves militares antes do banquete de Estado.
Para o próprio Charles, a visita pode provocar sentimentos ambíguos. Ele tem pouco em comum com Trump —desde seus 50 anos defendendo causas ambientais até seus esforços para promover a harmonia entre religiões e seu recente apoio firme ao Canadá, onde é chefe de Estado.
Mas a ocasião também lhe dará a maior atenção global desde sua coroação. “Se tudo correr bem… acho que isso será lembrado como o evento mais significante de seu reinado”, disse o historiador Anthony Seldon.
Na quinta-feira, a agenda seguirá para a residência oficial de campo de Starmer, Chequers, onde o foco será a geopolítica.




