Trump manipulou processo contra Receita por benefícios – 13/07/2026 – Mundo

17839718096a553fe1c7cec_1783971809_3x2_rt.jpg


Uma juíza dos Estados Unidos concluiu nesta segunda-feira (13) que o presidente Donald Trump usou de forma indevida um processo de US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões) que moveu contra a Receita Federal americana para extrair do governo benefícios pessoais, impedindo que os termos do acordo de conciliação entrassem em vigor.

Em decisão de 56 páginas, a juíza federal Kathleen Williams, de Miami, afirma que advogados de ambos os lados do caso —os do republicano e os procuradores do Departamento de Justiça e da Receita Federal— fizeram mau uso do sistema jurídico para dar cobertura a ações destinadas a beneficiar o presidente e seus aliados.

“Esta ação nunca foi sobre uma parte buscando resolução judicial de uma questão legal ou de uma disputa de fatos”, escreveu Williams. A juíza disse que, em vez disso, tratou-se de uma tentativa de “dar alguma legitimidade a um acordo para conferir imunidade a pessoas e entidades afiliadas ao presidente, e destinar bilhões de dólares dos contribuintes americanos para reparar queixas não definidas em lei”.

O acordo intermediado em maio entre os advogados de Trump e os do Departamento de Justiça levou Trump a desistir do processo. Em troca, seria criado um fundo de quase US$ 1,8 bilhão (R$ 9,2 bilhões) para vítimas de “instrumentalização do governo”, uma medida que, segundo críticos, beneficiaria aliados de Trump.

A decisão de Williams proíbe qualquer uma das partes no caso, incluindo Trump, seus filhos e sua empresa homônima, de fazer referência ao acordo ou citar qualquer de seus termos em futuros processos judiciais. O entendimento pode anular parte do acordo que impedia a Receita Federal de realizar auditorias em reivindicações fiscais envolvendo o presidente ou suas empresas.

O procurador-geral interino, Todd Blanche, já disse ao Congresso que o plano para o fundo de instrumentalização não seguiria adiante.

O fundo foi inicialmente destinado a compensar vítimas de “lawfare” e “instrumentalização”, termos que o republicano usa para descrever processos judiciais contra ele e seus aliados. Um juiz federal na Virgínia bloqueou no mês passado a criação do fundo pelo governo Trump.

O presidente processou a Receita Federal em janeiro, acusando a agência de não fazer o suficiente para evitar o vazamento de seus registros fiscais durante seu primeiro mandato e, inicialmente, pedindo US$ 10 bilhões.

O acordo foi alvo de críticas, incluindo de parlamentares republicanos, que acusaram o governo de agir em benefício próprio e de buscar canalizar dinheiro dos contribuintes para aliados políticos. Blanche, sob pressão de senadores republicanos, concordou em engavetar o fundo de instrumentalização, mas permitiu que a disposição tributária permanecesse em vigor.

Um porta-voz da equipe jurídica de Trump não abordou diretamente a decisão do tribunal, mas repetiu argumentos de que os registros fiscais de Trump foram vazados de forma indevida e disse que o presidente “continua responsabilizando aqueles que prejudicam a América e os americanos”.

Um porta-voz do Departamento de Justiça não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A decisão de Williams ocorreu dois dias antes de Blanche, ex-advogado pessoal de Trump, comparecer perante uma comissão do Senado sobre sua indicação para servir como procurador-geral permanente. O acordo com a Receita Federal já era esperado como um tema central de discussão.

Williams abriu uma investigação sobre o acordo depois que um grupo de ex-juízes apresentou uma petição acusando Trump e seu governo de perpetrar uma “fraude contra o tribunal”. Os advogados do presidente argumentam que a juíza não tinha mais autoridade sobre o caso depois que o líder republicano o arquivou de forma voluntária.

A decisão de Williams não reabre o caso, mas conclui que os advogados de Trump e funcionários do governo devem enfrentar sanções. Ela permitiu que grupos externos que apresentaram petições levantando preocupações sobre o processo busquem pagamento por seu trabalho.

A juíza também determinou que uma cópia de sua decisão fosse enviada às autoridades disciplinares jurídicas em Nova York, onde Blanche tem sua licença de advocacia, e em Washington, onde o procurador-geral associado Stanley Woodward, o terceiro funcionário de mais alto escalão do Departamento de Justiça, está inscrito na ordem.



Source link

Leia Mais

Soldado israelense narra expulsão de palestinos em 1948 - 13/07/2026

Soldado israelense narra expulsão de palestinos em 1948 – 13/07/2026 – Mundo

julho 14, 2026

17839954066a559c0e4bd48_1783995406_3x2_rt.jpg

Bukele vai tentar terceiro mandato em El Salvador – 13/07/2026 – Mundo

julho 14, 2026

naom_686f6caa75161.webp.webp

Caiado afirma que ‘liderança não se herda’ após Flávio ler carta de Bolsonaro

julho 14, 2026

Palmeiras conquista Ladies Cup antes da volta do Brasileiro Feminino

Palmeiras conquista Ladies Cup antes da volta do Brasileiro Feminino

julho 14, 2026

Veja também

Soldado israelense narra expulsão de palestinos em 1948 - 13/07/2026

Soldado israelense narra expulsão de palestinos em 1948 – 13/07/2026 – Mundo

julho 14, 2026

17839954066a559c0e4bd48_1783995406_3x2_rt.jpg

Bukele vai tentar terceiro mandato em El Salvador – 13/07/2026 – Mundo

julho 14, 2026

naom_686f6caa75161.webp.webp

Caiado afirma que ‘liderança não se herda’ após Flávio ler carta de Bolsonaro

julho 14, 2026

Palmeiras conquista Ladies Cup antes da volta do Brasileiro Feminino

Palmeiras conquista Ladies Cup antes da volta do Brasileiro Feminino

julho 14, 2026