O governo Donald Trump recebeu nesta quinta-feira (26) permissão judicial para prosseguir com a obra que demoliu a ala leste da Casa Branca para erguer um salão de festas com 8.360 m² e espaço para 999 pessoas. O juiz federal Richard Leon negou o pedido da Sociedade Nacional de Preservação Histórica dos Estados Unidos para que o governo interrompesse o projeto.
O grupo queria a paralisação da obra até que o Executivo cumprisse a legislação federal e as normas exigidas para um projeto do tipo, incluindo autorização do Congresso americano. O governo Trump, por sua vez, argumentou que o projeto é consistente com práticas de reformas presidenciais e é de interesse público.
Leon, em sua decisão, disse que não poderia conceder uma liminar com base nos argumentos específicos apresentados pela sociedade, mas afirmou que o grupo poderia refazer a petição e tentar novamente. A sociedade processou Trump e várias agências federais em dezembro, argumentando que o projeto avançou ilegalmente sem as aprovações necessárias, análise ambiental ou autorização do Congresso.
O governo Trump concluiu a demolição da ala leste da Casa Branca em outubro. Construída em 1902, durante a presidência de Theodore Roosevelt, o anexo foi ampliado em 1942, sob Franklin Roosevelt, e abrigava os escritórios da primeira-dama, um teatro e uma entrada de visitantes que recebia autoridades estrangeiras.
O projeto do salão de festas é uma das várias grandes mudanças que Trump fez na Casa Branca desde que retornou ao cargo em janeiro de 2025. O republicano adicionou detalhes dourados por todo o Salão Oval e converteu o gramado do Jardim das Rosas da Casa Branca em um pátio pavimentado semelhante ao de sua propriedade em Mar-a-Lago, na Flórida.
A Sociedade de Preservação Histórica argumentou que a lei federal proíbe construções em terras públicas de Washington sem a autorização expressa do Congresso. Também argumentou que o Serviço Nacional de Parques violou a lei federal ao emitir uma avaliação ambiental em vez de um estudo de impacto completo, e ao divulgá-la após o início da demolição.
O governo defendeu a legalidade do projeto, argumentando que ele segue uma longa tradição de reformas presidenciais. Em um documento judicial, afirmou que o salão de festas é necessário para funções de Estado, seu projeto ainda está em evolução e a construção acima do solo não está planejada até abril, tornando uma liminar desnecessária.
A rápida demolição da Ala Leste por Trump atraiu críticas de preservacionistas e outros opositores. O presidente defendeu o projeto, afirmando em uma publicação em sua plataforma Truth Social que seu uso de doações privadas para o projeto significa “ZERO financiamento dos contribuintes”. Trump chamou o salão de festas planejado de “um espaço desesperadamente necessário” —a obra deve custar US$ 400 milhões, ou R$ 2 bilhões.
Nenhuma data de conclusão foi divulgada, mas a Casa Branca disse que será “bem antes do fim” do mandato de Trump.




