O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nas redes sociais um vídeo racista que retrata Barack Obama e sua mulher, Michelle, como macacos. O conteúdo remete a uma teoria da conspiração relacionada às eleições de 2020 e gerou reação de membros do Partido Democrata e até mesmo de republicanos.
Após a repercussão negativa, o presidente recuou e apagou o vídeo. Um funcionário da Casa Branca disse à AFP que o post foi compartilhado por engano por um membro da equipe e que, por isso, havia sido excluído.
A versão diverge de um posicionamento dado mais cedo nesta sexta. A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, havia defendido o post, chamando a repercussão de “indignação falsa”. “Isto vem de um vídeo de meme da internet que retrata o presidente Trump como o rei da selva, e os democratas como personagens de ‘O Rei Leão”, disse Leavitt, em um comunicado à AFP. “Por favor, parem com a indignação falsa e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano.”
O vídeo publicado, que dura um minuto, termina com um trecho que mostra os rostos do ex-presidente da ex-primeira-dama aparecem sobrepostos aos corpos de macacos. A canção “The Lion Sleeps Tonight”, da trilha sonora de “O Rei Leão”, toca ao fundo quando o casal aparece. O conteúdo, compartilhado na Truth Social na quinta-feira (5), foi gerado com ferramentas de inteligência artificial.
O vídeo repete acusações falsas de que a empresa Dominion Voting Systems, fabricante de urnas eletrônicas nos Estados Unidos, ajudou a fraudar o pleito de 2020. Naquele ano, Joe Biden derrotou Trump na corrida pela Casa Branca.
A fabricante, inclusive, processou a Fox News por difamação, após a emissora divulgar afirmações de que as máquinas foram usadas para manipular o resultado das eleições. As empresas chegaram a um acordo judicial de US$ 787,5 milhões (R$ 3,9 bilhões) em 2023.
O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, um dos principais opositores de Trump e potencial candidato democrata à Presidência em 2028, afirmou que o presidente teve “comportamento repugnante” ao compartilhar o vídeo racista. “Todo republicano deve denunciar isto. Agora”, publicou a conta do gabinete de Newsom na rede social X.
Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Obama, também condenou o ato. “Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas enquanto o estudam como uma mancha em nossa história”, escreveu.
Tim Scott, o único senador negro do Partido Republicano, criticou o vídeo. “É a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca.”
Obama foi o único presidente negro na história dos Estados Unidos. O líder democrata, que não tem o costume de responder às provocações e aos ataques de seu opositor, não havia se pronunciado até a publicação deste texto.
Desde que retornou à Casa Branca no ano passado, Trump intensificou o uso de imagens geradas por IA, muitas vezes com conteúdos que ridicularizam seus críticos e opositores. O republicano utiliza publicações provocativas para mobilizar sua base conservadora.
No ano passado, Trump publicou um vídeo gerado por IA que mostrava Barack Obama sendo preso no Salão Oval e aparecendo atrás das grades, vestindo um uniforme laranja de detento. Na época, o democrata não reagiu à provocação.
Trump também já publicou um vídeo produzido por IA de Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, com um bigode falso e um chapéu. O deputado, que é um homem negro, classificou a imagem de racista.
Jeffries também se pronunciou nesta sexta sobre o vídeo do casal Obama. “Todo republicano deve denunciar imediatamente a repugnante intolerância de Donald Trump”, disse ele em um post no X, chamando o presidente de “indivíduo doente”.




