Os Estados Unidos querem que Rússia e Ucrânia encontrem uma solução para encerrar a guerra, a maior desde a Segunda Guerra Mundial, antes do verão no hemisfério norte, que começa em junho, afirmou o presidente Volodimir Zelenski em declarações divulgadas neste sábado (7).
O ucraniano também afirmou que Washington propôs uma nova rodada de negociações entre Kiev e Moscou a ser realizada em Miami dentro de uma semana. A Ucrânia confirmou participação.
“Os americanos estão propondo que as partes encerrem a guerra antes do início deste verão e provavelmente vão pressionar as partes a cumprir esse cronograma”, disse Zelenski. “As eleições [de meio de mandato nos EUA] são definitivamente mais importantes para eles. Não sejamos ingênuos. Eles dizem que querem resolver tudo até junho.”
Ucrânia e Rússia concluíram nesta quinta (5) dois dias de negociações de paz mediadas pelos EUA em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, sem um grande avanço. Foi a segunda etapa de reuniões neste formato, e as diferenças continuam.
Segundo a Folha ouviu de uma pessoa próxima do Kremlin, os temas centrais encalacrados seguem os mesmos: Kiev não quer fazer nenhuma concessão territorial, e Moscou rejeita que a paz seja garantida por uma força ocidental em solo ucraniano.
Há diversos outros itens contenciosos, como por exemplo o controle da usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa, que está inoperante desde que os russos a tomaram no início da invasão. Vladimir Putin quer a unidade para si, aceitando supervisão americana, e Volodimir Zelenski não abre mão da central.
O único avanço de fato obtido em Abu Dhabi foi às margens do tema Ucrânia, com o estabelecimento de uma comissão militar de alto nível entre EUA e Rússia, o primeiro sinal de aproximação prática entre as potências nucleares desde o início da guerra.
Além disso, duas partes concordaram em trocar 157 prisioneiros de guerra cada, retomando essas trocas após uma pausa de cinco meses. Zelenski disse que a troca de prisioneiros de guerra continuará.
O presidente ucraniano afirmou ter recebido relatórios de seus serviços de inteligência sobre discussões nas quais o enviado especial da Rússia, Kirill Dmitriev, propôs acordos de cooperação entre a Rússia e os Estados Unidos no valor de até US$ 12 trilhões (cerca de R$ 62 trilhões). Ele disse que quaisquer acordos bilaterais desse tipo entre a Rússia e os Estados Unidos não poderiam violar a Constituição ucraniana.




