A União Europeia decidiu incluir a Guarda Revolucionária Islâmica, braço militar do regime teocrático do Irã, na lista de organizações consideradas terroristas pelo bloco. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (29) pela chefe da diplomacia da UE, a estoniana Kaja Kallas.
“A repressão não pode ficar sem resposta”, escreveu ela em um post no X, referindo-se à brutal repressão de Teerã contra a onda protestos que se espalharam pelo país. Organizações de direitos humanos contabilizam mais de 6.000 vítimas, enquanto o r egime admitiu que 3.000 pessoas morreram durante as manifestações.
Os atos se transformaram na mais séria ameaça à teocracia desde sua instalação, em 1979. “Qualquer regime que mata milhares de seus próprios cidadãos está trabalhando para a sua própria ruína”, disse Kallas.
“É importante enviar esse sinal para dizer que o derramamento de sangue que vimos e a violência animalesca usada contra manifestantes não serão tolerados”, disse David van Weel, ministro das Relações Exteriores da Holanda.
Dissidentes iranianos ouvidos pela agência de notícias Reuters dizem que o regime conduz agora uma campanha de detenções em massa de pessoas supostamente envolvidas com as manifestações.
A guarda foi criada após a Revolução Islâmica do Irã e atualmente exerce grande influência no país, controlando amplos setores da economia e das Forças Armadas.
Embora alguns governos da UE já tenham defendido anteriormente a inclusão da guarda na lista terrorista do bloco, alguns países foram mais cautelosos, temendo que a medida pudesse dificultar a comunicação com o governo iraniano e colocar em risco cidadãos europeus dentro do país.
No entanto, a brutalidade na repressão aumentou o impulso para a decisão. França e Itália, que anteriormente relutavam em incluir a guarda na lista de organizações terroristas, deram seu aval à medida nesta semana.
Apesar das preocupações de que a decisão pudesse levar a um rompimento total das relações com o Irã, Kallas disse a jornalistas que “a avaliação é de que os canais diplomáticos ainda permanecerão abertos”. O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse na quinta que a Europa comete “um erro estratégico” ao designar a guarda como terrorista.
A União Europeia também adotou nesta quinta sanções contra 15 membros do regime e seis entidades “responsáveis por graves violações de direitos humanos” no país, informou o Conselho da União Europeia em comunicado.
A lista inclui o ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, o procurador-geral Mohammad Movahedi Azad, comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica e alguns funcionários de alto escalão do Exército.
Entre as entidades sancionadas está o órgão regulatório do setor audiovisual do Irã e empresas de software que, segundo a UE, contribuíram para a campanha de repressão aos protestos. Também foram incluídos na lista autoridades ligadas à indústria aeroespacial iraniana, que produz mísseis e drones.




