UE se inspira na Dinamarca para modelo rígido de imigração – 11/01/2026 – Mundo

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“Se você solicitar asilo na Dinamarca, sabe que será enviado de volta para fora da Europa. Esperamos, portanto, que as pessoas parem de solicitar asilo na Dinamarca.”

Em 2021, era assim que o porta-voz de Mette Frederiksen explicava o pacote legislativo que acabava de ser aprovado no Parlamento. Um feito surpreendente para um governo de centro-esquerda, liderado pela primeira-ministra mais jovem da história do país.

Considerada ponto fora da curva por anos, a Dinamarca agora é modelo para o resto da União Europeia. No último semestre, quando a presidência rotativa do bloco estava a cargo dos dinamarqueses, Bruxelas adotou um pacote à imagem e semelhança da política declaradamente anti-imigratória de Copenhague.

Iniciativas antes cercadas de polêmica agora caminham para se tornar a norma no continente: expulsão imediata de solicitantes de asilo que tiveram pedidos recusados, centros de triagem no exterior e hubs de remoção instalados fora do território da UE. Políticas linha-dura que, até então, paravam na Justiça, como ocorreu com o centro de triagem montado na Albânia em 2024 pelo governo de Giorgia Meloni.

Em maio, a despeito das diferenças de orientação política, Meloni encontrou em Frederiksen uma aliada para reverter a decisão. Junto com outros sete líderes da UE, pediram em carta aberta uma reinterpretação da Convenção Europeia de Direitos Humanos. Em termos práticos, autonomia para expulsar imigrantes que cometem crimes.

O argumento, dizem especialistas, é simplista. De junho a setembro de 2025, último dado disponível, a nacionalidade mais atendida por pedidos de asilo na UE é a venezuelana.

Dez anos depois da decisão histórica de Angela Merkel de abrir as fronteiras para refugiados sírios, a crise imigratória é um fardo político, especialmente na Alemanha.

O atual premiê, Friedrich Merz, faz força desde o início de seu mandato para mostrar empenho na questão. Intensificou o fechamento de fronteiras, ao arrepio do Tratado Schengen de livre circulação, organizou voos de deportação e aumentou o rigor na concessão de asilos e refúgios.

A ascensão da ultradireita e de populistas em boa parte da Europa sequestrou o assunto. Na Alemanha, pesquisa da Fundação Robert Bosch mostra como o humor em relação aos imigrantes mudou nos últimos anos: 54% dos alemães ouvidos disseram aprender algo novo com imigrantes, contra 78% em 2019. Outros 59% afirmaram acreditar que poderiam ser “rotulados como racistas por qualquer coisa”.

O movimento que Merz faz agora foi encampado por Frederiksen em 2019, quando assumiu o posto de primeira-ministra com uma coalizão minoritária.

Desde a crise de 2015, alimentada pela guerra na Síria e pela fragmentação da Líbia pós-Muammar Gaddafi, a Dinamarca já recrudescia sua política imigratória. Em 2018, o país aprovou uma “lei de guetos”, que permite a intervenção estatal em bairros em que a presença de “não ocidentais” chegasse à metade dos habitantes —em dezembro, o Tribunal de Justiça da UE declarou que a legislação pode ser ilegal.

Frederiksen, em vez de reverter o curso, assumiu para si o protagonismo sobre a questão. Em 2021, aprovou o dispositivo que prevê a transferência de um solicitante de asilo para um país terceiro, o que especialistas percebem como uma afronta às leis europeias e internacionais.

Autor da frase que abre este texto, Rasmus Stoklund, hoje ministro do Interior, declarou que o pacote adotado pela UE levou “muitos anos para ser elaborado”. “Os governos perceberam que, se não levassem essa questão a sério, os eleitores apoiariam movimentos mais populistas que a levariam. E que usariam medidas mais drásticas para encontrar soluções.”

Mais de 60 organizações protestaram contra as mudanças, que ainda precisam ser votadas pelo Parlamento Europeu. Temem prisões por tempo indeterminado e obstáculos a recursos, entre outros itens.

O movimento, porém, parece só aumentar. A Suécia, com histórico de respeito aos direitos individuais, recentemente limitou o reagrupamento familiar e benefícios sociais para recém-chegados.

Fruto ou não das mudanças, a chegada de imigrantes irregulares na Europa caiu 25% de janeiro a novembro de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com Frontex, a agência de fronteiras da UE.

A travessia do Canal da Mancha para o Reino Unido, por outro lado, alcançou a segunda maior marca desde 2018, quando a estatística começou a ser acompanhada pelo Ministério do Interior britânico. Foram 41.472 chegadas, contra 45.774 em 2022, quando o governo estava nas mãos dos conservadores.

Nada que sirva de alento para os trabalhistas, agora no poder. Keir Starmer patina nas pesquisas de opinião, superado com folga pelo Reform UK do populista Nigel Farage. Em setembro, o extremista Tommy Robinson levou 150 mil às ruas em Londres com o argumento de que o país está sendo invadido por imigrantes.

Pressionado, Starmer seguiu a receita da UE. Funcionários de alto nível do governo foram visitar a Dinamarca, em que a concessão de asilo vive seu menor volume em 40 anos.



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