As urnas fecharam às 16h locais deste domingo (31) na Colômbia (18h em Brasília), como previsto, após uma jornada eleitoral sem grandes percalços. Agora, a população aguarda ainda para esta noite os resultados prévios da votação para escolher o próximo presidente do país.
A expectativa é que haja um segundo turno no dai 21 de junho, já que, segundo pesquisas de intenção de voto, nenhum candidato parece ter força para conseguir 50% dos eleitores mais um voto —condição necessária para encerrar a corrida na primeira votação, de acordo com a lei colombiana.
Um levantamento da empresa Invamer divulgado na semana passada, por exemplo, coloca Iván Cepeda, apadrinhado do atual presidente, Gustavo Petro, na liderança, com 44,6% das intenções de voto. Em seguida, vem o ultradireitista Abelardo de la Espriella, com 31,6%, e a representante da direita tradicional, Paloma Valencia, com 14%. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais.
A calmaria ao longo do dia contrasta com a campanha eleitoral do pleito, um dos mais polarizados e violentos dos últimos anos. Os três principais candidatos relataram ameaças de morte ao longo dos últimos meses, e todos tinham um aparato de segurança especial para comícios.
A votação ocorre um ano após o então pré-candidato de direita Miguel Uribe ser alvo de um atentado a bala durante um comício em Bogotá. O político, cuja mãe foi uma jornalista sequestrada e morta por ordem de Pablo Escobar na década de 1990, morreu dois meses depois em decorrência dos ferimentos.
A violência não deu trégua nos meses seguintes, em uma mostra da crise de segurança que a Colômbia vive. Na semana passada, o senador Alexander López também sofreu um ataque a balas na rodovia que liga Popayán a Cali, conhecida pela presença de grupos criminosos e, em fevereiro, a senadora indígena Aida Quilcué, candidata a vice-presidente na chapa de Cepeda, foi sequestrada por um grupo armado e liberada horas depois.
“Hoje se define a liberdade, a democracia e o futuro da Colômbia. Vamos derrotar a tirania no primeiro turno”, afirmou Espriella ao votar em Barranquilla. A ideia é a mesma que tem defendido seu principal adversário, Cepeda: pedir votos sob o argumento de que a corrida deveria ser resolvida já neste domingo.
O senador, no entanto, foi mais contido ao depositar seu voto, em Bogotá. “Pela vida e pela democracia”, afirmou, em uma clara alusão ao risco às instituições que representa Espriella, em sua visão.
A última dos três a votar foi Paloma, também em Bogotá. “A nossa política não é a do espetáculo, das alianças criminosas”, afirmou, em referência ao estilo barulhento de Espriella e de seu passado como advogado, quando defendeu figuras como Alex Saab, suposto laranja do ditador Nicolás Maduro. “A nossa campanha representa os valores éticos e morais de que a Colômbia precisa.”




