Veículos espiões russos interceptaram satélites da Europa – 05/02/2026 – Mundo

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Autoridades de segurança europeias ouvidas pelo Financial Times (FT) acreditam que dois veículos espaciais russos interceptaram as comunicações de pelo menos uma dúzia de importantes satélites do continente nos últimos anos.

As autoridades acreditam que as prováveis interceptações, reveladas agora pelo FT, não apenas podem comprometer informações sensíveis transmitidas pelos satélites, mas também poderiam permitir que Moscou manipulasse suas trajetórias ou até mesmo os fizesse colidir, destruindo-os.

Veículos espaciais russos têm monitorado satélites europeus de forma mais intensa nos últimos três anos, em um período de alta tensão entre Moscou e as capitais europeias após a invasão em larga escala da Ucrânia pelo presidente Vladimir Putin.

Por vários anos, autoridades espaciais militares e civis na Europa têm rastreado as atividades do Luch-1 e Luch-2 —dois objetos russos que realizaram repetidas manobras suspeitas em órbita. Ambos os veículos fizeram movimentações arriscadas próximos aos mais importantes satélites da Europa, que operam em alta altitude acima da Terra e atendem o continente, incluindo o Reino Unido, além de grandes partes da África e do Oriente Médio.

De acordo com dados orbitais e observações telescópicas terrestres, eles permaneceram próximos aos satélites europeus por semanas, especialmente nos últimos três anos. Desde seu lançamento em 2023, o Luch-2 se aproximou de 17 satélites da Europa.

Ambos os veículos eram suspeitos de espionagem, disse o major-general (equivalente ao general de divisão no Brasil) Michael Traut, chefe do comando espacial militar alemão, ao FT, referindo-se à prática dos objetos de permanecerem próximos aos satélites de comunicação.

Um alto oficial da inteligência europeia disse que os veículos Luch quase certamente tinham a intenção de se posicionar dentro do estreito cone de dados transmitidos de estações terrestres para os satélites.

O oifical expressou preocupação de que informações sensíveis —dados de comando para satélites europeus, por exemplo— não estavam criptografadas, porque muitos desses objetos foram lançados anos atrás sem computadores de bordo avançados ou capacidades de criptografia. Isso os deixa vulneráveis a interferências futuras —ou até mesmo destruição— uma vez que atores hostis tenham registrado seus dados de comando.

As manobras no espaço ocorrem enquanto a Rússia intensifica sua “guerra híbrida” na Europa, incluindo operações de sabotagem, como o corte de cabos submarinos de internet e energia. Oficiais de inteligência estão cada vez mais preocupados que o Kremlin possa estender tal atividade disruptiva ao espaço e que já esteja desenvolvendo capacidade para tal.

Embora a China e os Estados Unidos tenham desenvolvido tecnologias semelhantes, a Rússia possui um dos programas de espionagem espacial mais avançados do mundo e tem sido mais agressiva no uso dos veículos para perseguir satélites.

“Redes de satélites são o calcanhar de Aquiles das sociedades modernas. Quem as ataca pode paralisar nações inteiras”, disse o ministro da defesa alemão Boris Pistorius em um discurso em setembro passado. “As atividades russas são uma ameaça fundamental para todos nós, especialmente no espaço. Uma ameaça que não podemos mais ignorar.”

Os satélites europeus abordados pelo Luch 1 e 2 são usados principalmente para fins civis, como televisão por satélite, mas também transportam comunicações governamentais sensíveis e algumas militares.

O Luch 1 e o Luch 2 provavelmente não têm a capacidade de interferir ou destruir satélites por si mesmos, disse o oficial de inteligência europeu. No entanto, eles provavelmente forneceram à Rússia grandes quantidades de dados sobre como tais sistemas poderiam ser interrompidos, tanto do solo quanto em órbita.

Traut disse que presumia que os satélites Luch haviam interceptado o “link de comando” dos satélites que abordaram —o canal que liga satélites aos controladores terrestres que permite ajustes orbitais.

Analistas dizem que, com tais informações, a Rússia poderia imitar operadores terrestres, transmitindo comandos falsos para satélites para manipular seus propulsores usados para pequenos ajustes orbitais. Esses propulsores também poderiam ser usados para tirar os satélites de alinhamento ou até mesmo fazer com que colidissem de volta à Terra ou se perdessem no espaço.

A inteligência coletada pelo Luch 1 e 2 também poderia ajudar a Rússia a coordenar ataques menos evidentes aos interesses ocidentais. Monitorar outros satélites pode revelar quem os está usando e onde — informações que poderiam ser exploradas posteriormente para operações direcionadas de interferência ou hacking baseadas em terra.

Os veículos Luch estavam “manobrando e estacionando perto de satélites, muitas vezes por muitos meses de cada vez”, disse Belinda Marchand, diretora científica da Slingshot Aerospace, uma empresa com sede nos EUA que rastreia objetos no espaço usando sensores terrestres e IA.

Ela acrescentou que o Luch 2 estava atualmente “em proximidade” com o Intelsat 39, um grande satélite que atende a Europa e a África. Desde seu lançamento em 2023, o Luch-2 pairou perto de pelo menos outros 17 satélites acima da Europa, servindo tanto a propósitos comerciais quanto governamentais, mostram dados da Slingshot.

“Eles visitaram os mesmos operadores —então você pode deduzir que eles têm um propósito ou interesse específico”, disse Norbert Pouzin, analista orbital sênior da Aldoria, uma empresa francesa de rastreamento de satélites que também monitorou os satélites Luch. “Estes são todos operadores de países que fazem parte da Otan.”

“Mesmo que não possam descriptografar mensagens, eles ainda podem extrair muitas informações e mapear como um satélite está sendo usado, descobrindo a localização de terminais terrestres, por exemplo”, acrescentou.

Pouzin também disse que a Rússia agora parece estar intensificando sua atividade de reconhecimento no espaço, lançando dois novos satélites no ano passado chamados Cosmos 2589 e Cosmos 2590. Os veículos parecem ter capacidades de manobra semelhantes ao Luch-1 e Luch-2.

O Cosmos 2589 estava agora a caminho da mesma faixa de satélites geoestacionários, que orbitam a 35.000 km acima da Terra, disse Pouzin. Mas o Luch-1 pode não estar mais funcional. Em 30 de janeiro, telescópios terrestres observaram o que parecia ser uma pluma de gás saindo do satélite. Pouco depois, ele pareceu fragmentar-se pelo menos parcialmente.

“Parece que começou com algo relacionado à propulsão”, disse Marchand, acrescentando que depois “houve certamente uma fragmentação” e o satélite “ainda está girando”.



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