Mais de 150 veículos de imprensa de 50 países publicarão nesta segunda-feira (1º) suas primeiras páginas impressas e home pages totalmente pretas, em sinal de protesto contra os ataques de forças de Israel a jornalistas em Gaza.
Organizado pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e pela Avaaz, entidade que promove campanhas virtuais, o ato prevê ainda mensagens pedindo ação, disseminação de conteúdo nas redes sociais e publicação de editoriais ou artigos de opinião. Os meios de comunicação também reivindicarão acesso livre da imprensa internacional ao território, o que hoje não ocorre devido a restrições impostas pelos militares israelenses.
Segundo os organizadores, entre os meios de comunicação que vão participar do chamado apagão noticioso estão Mediapart (França), Al Jazeera (Qatar), The Independent (Reino Unido), +972 Magazine (Israel/Palestina), Forbidden Stories (França), Frankfurter Rundschau (Alemanha), The New Arab (Reino Unido), L’Orient Le Jour (Líbano), Public Interest Journalism Lab (Ucrânia), Intercept Brasil, Agência Pública (Brasil) e Le Soir (Bélgica).
Desde o início da ofensiva de Tel Aviv, Gaza se tornou o lugar mais letal do mundo para jornalistas. De acordo com o RSF, mais de 210 jornalistas foram mortos pelas forças de Israel nos quase 23 meses de operações desde os atentados terroristas do Hamas de 7 de outubro de 2023, que desencadearam o atual conflito.
Pelas contas do Sindicato dos Jornalistas Palestinos, até o mês de agosto, ao menos 246 jornalistas morreram no exercício de sua profissão em Gaza. Não é possível confirmar esses números de forma independente. Esse montante superaria o de ao menos outros sete conflitos somados. Juntas, as guerras Civil Americana, da Coreia, do Vietnã, da Iugoslávia, do Afeganistão e as duas Guerras Mundiais deixaram 229 profissionais de mídia mortos durante seu ofício.
Em 10 de agosto, Anas al-Sharif, da Al Jazeera, e outros cinco jornalistas que se abrigavam em uma tenda fora do Hospital Al-Shifa foram mortos em um ataque direcionado. No último dia 25, um ataque contra o complexo médico al-Nasser, no centro de Gaza, matou cinco jornalistas de veículos locais e internacionais como Reuters e Associated Press.