Venezuela: 4 em 10 deslocados por terremotos estão nas ruas ou espaços públicos

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As operações de busca e resgate continuam na Venezuela nesta terça-feira, enquanto milhares de sobreviventes do terremoto tentam encontrar abrigo após terem perdido suas casas. 

Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas confirmaram 1.719 mortes, pelo menos 5.034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores consecutivos, de magnitudes 7.2 e 7.5 na escala Richter.

CNES
Imagens de satélite mostram edifícios altos em Caraballeda, Venezuela, antes (à esquerda) e depois dos terremotos que atingiram o país em 24 de junho

Comida em falta

Seis dias após os sismos, “a escassez de alimentos é generalizada” em La Guaira, o estado mais afetado, segundo a agência da ONU para refugiados, Acnur.

A porta-voz da entidade, Carlotta Wolf, afirmou nesta terça-feira que “os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi amplamente interrompida”.

Ela ressaltou que as tensões dentro das comunidades estão aumentando devido à dificuldade de acesso à assistência. 

Abrigos abaixo do padrão

Uma avaliação rápida das necessidades realizada pelo Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo mostrou que metade dos entrevistados estava abrigada com vizinhos ou parentes após o desastre.

Além disso, quase quatro em cada 10 estão vivendo nas ruas e espaços públicos, e outros em igrejas, escolas ou instalações improvisadas.

Carlotta Wolf alertou que “esses abrigos improvisados ​​não atendem aos padrões mínimos de proteção”, em termos de privacidade, espaços seguros e níveis básicos de higiene e conforto.

A porta-voz do Acnur também expressou preocupação com a presença de crianças desacompanhadas e separadas das famílias.

Unicef/ Rosali Herna
Pessoas vasculham os escombros de prédios desabados em La Guaira, Venezuela

Caos no sistema de saúde

Já o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Christian Lindmeier, disse que “os serviços de saúde estão sob extrema pressão neste momento”.

Segundo ele, o aumento nos casos de trauma ultrapassa a capacidade das instalações de saúde. 

No sábado, a OMS analisou dados de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, concluindo que três estão “em estado crítico”, seis apresentam danos estruturais ou estão parcialmente funcionais e as restantes “permanecem operacionais sob grande pressão”.

Lindmeier alertou para a “prestação de serviços caótica” e fluxos de pacientes, marcados por superlotação, crescentes atrasos cirúrgicos, falha nas medidas de biossegurança e equipe severamente estressada.

O porta-voz da OMS também destacou “lacunas críticas” na prestação de cuidados de saúde, incluindo o colapso dos serviços forenses e de necrotérios, bem como o registro inadequado de vítimas e de pessoas desaparecidas.

Doenças podem se espalhar

OMS afirma ainda que há um risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria, coqueluche, além de febre amarela e outras doenças transmitidas por vetores e pela água, incluindo dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.

Lindmeier explicou que muitos dos deslocados estão sob alto risco, devido à baixa cobertura vacinal antes do terremoto e ao acesso limitado às vacinas atualmente.

Ele adicionou que vários profissionais de saúde em La Guaira continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis ​​por cuidados maternos na região, o que criou uma lacuna crítica na assistência obstétrica.

A resposta da ONU em números

  • Liberou US$ 15 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências
  • Estabeleceu três centros de atendimento em La Guaira para famílias que perderam suas casas
  • O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, está coordenando a mobilização de 27 países e mais de 40 equipes de busca e salvamento
  • O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem mais de 3 mil toneladas de alimentos estocadas no país, quantidade suficiente para alimentar cerca de 10 mil famílias por dois meses.
  • O Unicef mobilizou pessoal e suprimentos adicionais para atender cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças. Para viabilizar uma resposta imediata, alocou US$ 1,5 milhão de seus recursos internos e US$ 1 milhão do Fundo Temático Humanitário Global
  • A Organização Internacional para as Migrações, OIM, está se preparando para distribuir seus suprimentos nas áreas de maior necessidade
  • A Organização Mundial da Saúde, OMS, por meio da Organização Pan-Americana da saúde, Opas, já avaliou as condições de sete unidades de saúde, determinando necessidades de medicamentos, oxigênio, combustível e outros insumos essenciais. Além disso, está mobilizando equipes médicas especializadas. 

 

 



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