A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse nesta segunda-feira (23) que seu país está de braços abertos para receber quem quiser voltar após a histórica lei de anistia promulgada na última quinta (19).
Delcy assumiu o poder após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, no início de janeiro. Desde então, promove uma agenda que inclui libertações de presos políticos, reformas legislativas e uma recém-promulgada anistia geral que representa um passo rumo a “uma Venezuela mais democrática”, segundo ela mesma.
“As portas da Venezuela, os braços do povo da Venezuela estão abertos para quem quiser retornar neste processo de cura do ódio”, disse ela em um discurso televisionado. Cerca de sete milhões de venezuelanos migraram nos últimos anos por causa da crise política e econômica do país, entre eles muitos dirigentes opositores que vivem no exílio.
Embora um passo significativo para oposição, a lei de anistia não é automática, e especialistas em direitos humanos a classificam de excludente e insuficiente. Centenas de detidos, como militares acusados de atividades consideradas terroristas, podem ficar de fora.
Delcy agradeceu as “manifestações genuínas de apoio” ao texto, mas acusou “alguns setores” de não estarem “fazendo a leitura correta do que está ocorrendo no país”.
“Eles já têm planos e, no devido momento, vou revelá-los ao país para que se saiba quem, de um hotel luxuoso nos EUA ou na Europa, pretende sabotar este processo, pretende atrapalhar o caminho da tranquilidade e da paz na Venezuela”, disse a líder no pronunciamento.
Delcy governa sob forte pressão de Washington, que afirma estar no comando da nação e da comercialização do petróleo venezuelano.
Na semana passada, ela se reuniu em Caracas com o chefe do Comando Sul dos EUA, em um encontro que também contou com a presença dos ministros da Defesa e do Interior, Vladimir Padrino e Diosdado Cabello, respectivamente.
“Tive que me sentar ao lado dos carrascos de nossos heróis e heroínas de 3 de janeiro. E o fiz pela Venezuela”, disse Delcy nesta segunda.
A Venezuela pede a libertação de Maduro e de sua esposa Cilia Flores, ambos presos em Nova York, onde enfrentam um julgamento por narcotráfico. O agora ex-líder se declara um “prisioneiro de guerra”.




