Os Estados Unidos suspenderam nesta quarta-feira (1º) as sanções contra a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, de acordo com o site do Departamento do Tesouro dos EUA.
O governo americano havia imposto sanções a Delcy quando ainda era vice de Nicolás Maduro, em 2018. Junto dela, outras três pessoas receberam as mesmas restrições: a esposa de Maduro e ex-procuradora-geral da Venezuela, Cília Flores, o então ministro da Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez —irmão de Delcy, atual presidente da Assembleia do país—, e o então ministro da Defesa, Vladimir Padrino —recém demitido pela líder interina.
À época, Trump, ainda em seu primeiro mandato, determinou: “Todos os bens e interesses em bens dessas pessoas e entidades que estejam nos Estados Unidos ou em posse ou controle de cidadãos americanos devem ser bloqueados”. Não está claro, neste momento, quais bens de Delcy estavam sob sanções e, agora, não mais estarão.
Desde a captura de Maduro, no início deste ano, o governo de Donald Trump tem sinalizado avanços diplomáticos e comerciais com o regime venezuelano. No início de março, Delcy, que assumiu após a deposição de Maduro, disse que o diálogo diplomático com os EUA é o caminho para resolver as diferenças entre os países.
Washington e Caracas concordaram em restabelecer relações diplomáticas e consulares em 5 de março. Segundo um comunicado do Departamento de Estado americano, o foco está em criar condições para uma transição pacífica a um governo democraticamente eleito.
“Reiteramos nossa disposição de construir relações de longo prazo com base no respeito mútuo, igualdade e direito internacional, com o objetivo de promover uma agenda de trabalho que fortaleça a cooperação em benefício de ambos os países”, afirmou Delcy naquele momento.
Trump, em paralelo, falou sobre a relação com a Venezuela em um evento com líderes latinos e elogiou a relação construída com Delcy, que tem trabalhado ao lado dos EUA desde o ataque em Caracas no início do ano. “Ela está fazendo um trabalho fantástico, mas só digo isso porque ela está colaborando com os EUA. Se não, diria que está fazendo um trabalho horrível.”
Os países não tinham relações formais desde 2019, quando Trump, em seu primeiro mandato, reconheceu Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.
Desde a captura de Maduro e Cília Flores, em janeiro, os dois países retomaram gradualmente as relações bilaterais. Dias após a ação americana, o regime venezuelano já havia anunciado o início do que chamou de “processo exploratório de natureza diplomática” para retomar as relações com Washington.
Quase um mês depois, no fim de janeiro, Delcy informou que os EUA começaram a desbloquear fundos do país que haviam sido congelados por sanções americanas, como parte de uma “agenda de trabalho” com o governo Trump.




