A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, destituiu nesta quarta-feira (18) o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que esteve à frente das Forças Armadas chavistas durante mais de uma década.
Delcy assumiu funções temporárias após a captura do ditador Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro. Os militares, pilar do chavismo, expressaram-lhe seu apoio irrestrito e absoluta lealdade na ausência de Maduro.
Vladimir Padrino, 62, estava no cargo desde 2014 e era considerado a peça de Maduro dentro da cúpula militar. “Agradecemos ao G/J [general em chefe] Vladimir Padrino López por sua entrega, sua lealdade à Pátria e por ter sido, durante todos estes anos, o primeiro soldado na defesa de nosso país”, escreveu Delcy no Telegram.
“Estamos certos de que assumirá com o mesmo compromisso e honra as novas responsabilidades que lhe serão confiadas”, acrescentou, sem dar mais detalhes.
Padrino é acusado de tráfico de drogas nos Estados Unidos, onde o governo oferece uma recompensa de US$ 15 milhões (R$ 78,2 milhões) por sua captura. Caracas já rejeitou alegações dos EUA de que altos funcionários se envolvem em atividades ilegais. Em 2020, Padrino chamou de “farsa grosseira” a acusação contra ele.
De acordo com o site Open Sanctions, Padrino é alvo de sanções econômicas e de controles de ativos estrangeiros por Estados Unidos e Canadá.
A líder interina nomeou Gustavo González López para chefiar o Ministério da Defesa. Ele havia sido designado poucos dias após a queda de Maduro como chefe da Guarda Presidencial e da Direção de Contrainteligência Militar.
González López formou-se na Academia Militar em 1982 e entrou para o serviço público em 2006 como presidente do Metrô de Caracas. Depois, ele comandou a 5ª Divisão de Infantaria da Selva e a Milícia Bolivariana, uma força paramilitar criada para controlar dissidentes.
López, que foi alvo de sanções dos EUA e da União Europeia, juntamente com pelo menos outros seis funcionários, por violações de direitos humanos e corrupção, atuou como diretor de inteligência interna da Venezuela até meados de 2024.
Posteriormente, naquele mesmo ano, ele começou a trabalhar com Delcy como chefe de assuntos estratégicos da estatal petrolífera PDVSA, cargo que ela anteriormente supervisionava como ministra da Energia.
Padrino, que também foi alvo de sanções dos EUA por suposto tráfico de drogas e seu apoio a Maduro, chegou a chefiar a seção cerimonial da Guarda Presidencial durante o governo do falecido Hugo Chávez. Mas sua ascensão foi meteórica sob o regime Maduro, que o nomeou ministro da Defesa no final de 2014.
Pessoas próximas às decisões disseram à agência Reuters que Padrino provavelmente seria substituído e que sua permanência no cargo após a captura de Maduro pelos EUA visava garantir a estabilidade nas Forças Armadas, onde cerca de 2.000 generais controlam diversos grupos de soldados mal remunerados, além de enormes interesses comerciais.
Padrino apareceu na televisão estatal logo após a captura de Maduro para afirmar que a Venezuela resistiria às tropas estrangeiras e que as Forças Armadas estavam preparando ataques de guerrilha para enfrentar uma invasão. Ele trabalhou com Delcy para atender às exigências dos EUA em relação ao petróleo, à mineração e à libertação de alguns presos políticos.
Em meio a numerosas denúncias de abusos e corrupção, além da indústria bélica, os militares na Venezuela controlam empresas de mineração, petróleo e distribuição de alimentos, assim como as aduanas e importantes ministérios.
Apesar da intervenção dos EUA, o aparato repressivo da Venezuela permanece intacto, afirmou a Organização das Nações Unidas na semana passada. O regime sempre negou violações dos direitos humanos contra a sociedade civil e a oposição política, bem como as acusações de corrupção dentro das Forças Armadas.




