A avenida Al-Rashid é a principal via de automóveis da região costeira da Faixa de Gaza —cruza o território palestino de norte a sul, à beira do limite com o mar Mediterrâneo. Um vídeo publicado nesta terça (2) pelo jornalista palestino Motaz Azaiza mostra o local devastado após quase dois anos de guerra.
Na porção norte da via, na altura do bairro Al-Zaytun, é possível ver a mesquita Al-Hassaina destruída, prédios inteiros que não existem mais e, onde antes antes transitavam carros, inúmeras tendas improvisadas —montadas para abrigar palestinos deslocados. Uma análise feita pela Folha confirmou a localização dos vídeos.
Cerca de dois anos separam as imagens. A mesquita é repetidamente referida como a mais bonita e emblemática do território palestino —devido, em especial, a sua herança arquitetônica e relevância espiritual e religiosa.
Antes e depois da mesquita Al-Hassaina
O templo em dezembro de 2021, e janeiro de 2024, depois dos ataques de Israel à região, em novembro de 2023
– Mohammed Salem – 3.dez.21/Reuters e 6.jan.24/AFP
Ela foi uma das atingidas ainda no início da guerra, em novembro de 2023 —naquele momento, ao menos oito templos haviam sido destruídos. Até janeiro de 2025, mais de 960 mesquitas foram bombardeadas por Israel.
À época, ativistas palestinos condenaram os ataques israelenses que a destruíram e lamentaram a perda do templo, que, segundo afirmam, era visitado por milhares de pessoas todos os dias.
Ao fundo das imagens publicadas nesta terça, ainda é possível observar chaminés de uma usina termelétrica israelense, que foi instalada há cerca de 40 anos a pouco mais de 5 km da fronteira. Apenas 10km separam o ponto em que o cinegrafista capta as imagens do limite norte do território palestino.
A região é vizinha do bairro nobre de Rimal, na Cidade de Gaza, que foi destruído por bombardeios israelenses também em novembro de 2023. O local era considerado o mais sofisticado e um dos mais seguros do território; abrigava prédios do governo e universidades. Hoje, assim como Al-Zaytun, está em ruínas e abandonado.
Israel lançou sua ofensiva contra a Faixa de Gaza em outubro de 2023, depois que membros do grupo terrorista Hamas atacaram comunidades israelenses, matando 1.200 pessoas e capturando mais de 250 reféns.
Desde então, a ação militar de Tel Aviv matou cerca de 63 mil pessoas, danificou ou destruiu a maioria dos edifícios no território e forçou quase todos os seus residentes a fugir de suas casas pelo menos uma vez. Um monitor global da fome utilizado pelas Nações Unidas afirma que partes do território sofrem uma fome provocada por ação humana, o que Israel também nega.




