Vídeo: Folha vai a áreas controladas por curdos na Síria – 25/01/2026 – Mundo

Vídeo: Folha vai a áreas controladas por curdos na Síria


Um dia após ser prorrogado o cessar-fogo entre o governo da Síria e as forças curdas, milícias de civis curdos armados ocupavam cidades no norte do país, preparando-se para uma guerra contra o governo de Ahmed al-Sharaa e o Estado Islâmico (EI).

Pedreiros, encanadores, empresários, estudantes universitários, dentistas e eletricistas montaram postos de controle espalhados pelas cidades curdas do norte da Síria para deter integrantes do Estado Islâmico e o avanço das tropas do governo. Com fogueiras para espantar o frio de -2°C, civis armados de fuzis têm permanecido em seus postos nas ruas das 18h às 6h todos os dias, há uma semana.

“De dia, vendo tulipas, jacintos e flores na minha loja. À noite, fico aqui de guarda contra o Daesh (como chamam o EI)”, disse à Folha Redwan Hussein, 47, que tem uma loja de plantas em Amude e estava no posto de controle à 1h30 de sábado (24), ao lado de um eletricista e um soldador. “Os Daesh estão soltos por aí, com apoio do governo, é essa gente que cortava a cabeça dos curdos.”

Ao som de música curda, havia muitos jovens, como Daniar, 16, que era estudante do ensino médio e largou a escola para se tornar jogador profissional do time de Amude. Fã do jogador brasileiro do Real Madrid Rodrygo, Daniar estava na rua às 2h, com seu fuzil Kalashnikov pendurado no ombro.

“Estamos aqui também em apoio às nossas forças, que estão no front. E, se vier a guerra, vamos todos lutar, não tenham dúvidas”, disse.

Os contingentes das Forças Democráticas da Síria (SDF, na sigla em inglês), continuam mobilizados nas regiões de Hassakeh e Kobani, apesar do cessar-fogo que expira em 14 dias. As milícias nas cidades também dizem que não vão se desmobilizar.

“Não confiamos em Jolani [antigo nome do presidente sírio Ahmed al-Sharaa] ou no Daesh, só vamos sair daqui se houver um acordo com apoio internacional para acabar com a guerra”, diz o universitário Obeid Muhammed.

As SDF, a aliança formada em 2015 entre forças curdas e países como Estados Unidos, com participação de árabes, lutou durante anos contra o EI na Síria, até derrotar os extremistas em 2019.

Mas, no final de 2024, as forças rebeldes de Sharaa depuseram o ditador sírio Bashar al-Assad e prometeram unir a Síria sob o controle do novo governo, incluindo as áreas administradas pelas SDF. As SDF controlavam cerca de um quarto do território sírio, onde mantinham um governo autônomo.

Desde o início de janeiro, forças governamentais tomaram áreas de maioria árabe antes comandadas pelas SDF. Capturaram Raqqa e Deir Ezzor, assumindo controle de campos de petróleo, hidrelétricas e prisões com milhares de combatentes do EI.

No processo, centenas de prisioneiros da facção terrorista fugiram –segundo o governo sírio, foram cem os que escaparam. De acordo com as SDF, o número é muito maior.

No sábado, Sharaa libertou 126 menores de idade de uma prisão em Raqqa, acusados de serem membros do EI. Árabes de Raqqa comemoraram, afirmando que muitos estavam lá injustamente. As SDF negam.

Os EUA, que apoiaram a forças curdas como principal aliado na derrota do EI, aproximaram-se de Sharaa e não se opuseram à ofensiva. Eles instam as SDF a aceitar a proposta do presidente de se integrar completamente ao governo sírio, que visa apoiar uma operação de Washington para transferir prisioneiros do EI de instalações de detenção anteriormente controladas pelas SDF.

Antes de prorrogar a trégua, Sharaa afirmou que tomaria controle das duas outras grandes cidades curdas, Qamishli e Hassakeh, caso os curdos não cumprissem os termos de um acordo assinado em 18 de janeiro.

Para eles, algumas exigências do governo sírio, como integrar completamente as forças curdas ao Exército do país e abrir mão da autonomia administrativa, são inaceitáveis. Sharaa integrou ao Exército sírio combatentes de facções extremistas que lutaram contra os curdos, que temem vingança.

“Os curdos estão em perigo, o governo pode fazer conosco o mesmo que fez com os alauítas e os drusos”, disse à Folha Kawthar Doko, co-presidente do partido Síria do Futuro, um dos principais de Rojava, a área autônoma curda. Após derrubar Assad em dezembro de 2024, Sharaa prometeu fazer um governo inclusivo, respeitando minorias. Mas, no ano passado, mais de 1.300 alauítas morreram na região de Tartus, na costa do país, em choques com forças do governo e milícias sunitas afiliadas. Em abril, centenas de drusos da região de Sweida morreram em conflitos semelhantes.

Sharaa foi integrante da Al Qaeda até 2016 e, ao assumir o governo, era líder do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), facção considerada uma organização terrorista por muitos países, que removeram sanções após a troca de governo.

Os EUA afirmaram que as razões para a parceria com as SDF expiraram, mas que ainda estão preocupados com o destino de milhares de combatentes do EI em prisões antes controladas pelas forças curdas e agora transferidas para o governo sírio.

Entre os curdos, a sensação é de traição.

“Nós lutamos contra o terrorismo internacional, com o sangue de nossos filhos, e agora é isso que recebemos em troca –o novo governo apoia os grupos terroristas, os soltam das prisões, e vem nos atacar. E a comunidade internacional não faz nada”, diz Majdal Zelfo, diretor de uma escola em Qamishli que abriga refugiados vindos de áreas tomadas pelas forças do governo. “Nós nos sentimos traídos pelos EUA, por Donald Trump.”

Apesar da trégua, a cidade curda de Kobani, no noroeste da Síria, continua sitiada por forças ligadas ao governo sírio, em grave crise humanitária.



Fonte CNN BRASIL

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