O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, divulgou nesta terça-feira (9) um vídeo do interior da embaixada mexicana em Quito, no Equador, no momento da invasão da sede diplomática pela polícia e pelo Exército equatorianos na última sexta-feira (5).
Agentes encapuzados a bordo de carros blindados entraram no local, que é protegido pelo direito internacional, para retirar o ex-vice-presidente Jorge Glas —ele estava abrigado na sede da representação, mas com um mandado de prisão pendente contra si devido a condenações por corrupção.
As imagens mostram o Glas sendo carregado por quatro policiais. Além disso, é possível ver mais agentes armados apontando uma arma de fogo para Roberto Canseco, o encarregado da embaixada mexicana. O diplomata ainda tenta evitar a saída dos veículos com Glas, mas é novamente subjugado por policiais.
Em resposta à operação policial, o México anunciou que rompeu as relações diplomáticas com Quito, fechou sua embaixada e denunciará o país à Corte Internacional de Justiça (CIJ). O incidente gerou uma crise diplomática que coloca em perigo as relações equatorianas com a América Latina.
Obrador também criticou a postura de Estados Unidos e Canadá frente à crise diplomática. O presidente considerou que não houve um repúdio contundente ao ataque à embaixada mexicana em Quito e cobrou um posicionamento do próprio presidente Joe Biden.
“Houve declarações ambíguas dos Estados Unidos e do Canadá sobre este incidente. Somos parceiros econômicos e comerciais, vizinhos, mas suas posições estão indefinidas até agora”, disse em entrevista coletiva.
Os EUA reagiram logo após as críticas públicas de Obrador. Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan condenou “o uso da força contra funcionários da embaixada” do México em Quito.
“O governo equatoriano ignorou suas obrigações e colocou em perigo os fundamentos das normas e relações diplomáticas básicas”, denunciou Sullivan.




