O líder do regime chinês, Xi Jinping, convidou a líder da oposição do parlamento de Taiwan, Cheng Li-wun, para uma visita a Pequim entre os dias 7 e 12 de abril. A política, que é presidente do partido Kuomintang, aceitou.
Cheng irá liderar uma delegação para a visita à capital chinesa e às cidades de Xangai e Jiangsu, sendo esta a primeira vez que ela vai ao país desde que tomou posse em novembro. Será a primeira visita desde a ida do então presidente do território e membro da sigla, Ma Ying-jeou, em 2015.
Song Tao, chefe do Escritório de Trabalho de Taiwan do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, afirmou que que o convite foi feito para estreitar as relações entre os dois lados do estreito após a política expressar o desejo de fazer a viagem.
O regime chinês sustenta que Taiwan, que tem um presidente democraticamente eleito, é parte inalienável de seu território. Pequim não informou se a líder será recebida por Xi, embora tenha anunciado que o convite partiu dele e do Politburo.
Segundo nota publicada pelo partido, Cheng agradeceu e declarou aceitar o convite com prazer. Disse ainda que “no momento, a situação entre os dois lados [do Estreito] é de forte tensão e risco militar”, e que ela quer criar uma atmosfera diferente, demonstrando a alta expectativa de todos em relação à paz.
O Kuomintang atualmente detém maioria no parlamento taiwanês e é o mesmo partido que governou a China antes da fundação da república popular, em 1949, quando os comunistas conquistaram o país e a sigla teve que recuar para Taiwan.
Ao contrário da posição do Partido Democrático Progressista, do presidente da ilha Lai Ching-te, o Kuomintang é contrário à independência de Taiwan e favorável à política de “um país, dois sistemas” proposta por Pequim para a unificação.
A visita ocorrerá em um momento em que Lai tenta convencer os parlamentares a aprovar um gasto adicional de US$ 40 bilhões em defesa. Os membros da oposição seguem bloqueando o aumento, alegando que não está clara a necessidade do aporte e que não assinarão “cheques em branco”.
Por outro lado, o partido também afirma que apoia o fortalecimento das defesas, e autorizou neste mês, por exemplo, que a liderança do território assine com os Estados Unidos um pacote de compra de armas no valor de US$ 9 bilhões.
O pacote faz parte de uma venda maior, de US$ 11 bilhões, aprovada pelos EUA em dezembro, e inclui mísseis antitanques, sistemas de lançamento múltiplo de foguetes e obuseiros autopropulsados.
Cheng visitará Pequim pouco antes de o presidente, Donald Trump, realizar sua própria visita de Estado. Taiwan é um dos temas que tem permeado as mesas de negociação entre Trump e Xi, e é esperado que os líderes conversem sobre o apoio americano à ilha.
Os EUA não reconhecem a ilha como país soberano, mas são seus principais apoiadores, sobretudo pelo papel estratégico do Estreito de Taiwan e de indústrias sensíveis presentes no território, como a de semicondutores.
A visita também ocorre em um cenário em que Pequim tem afirmado preferir alcançar a reunificação de forma pacífica, mas sem abrir mão do que chama de “direito” de utilizar a força, além de manter exercícios militares ostensivos constantes ao redor da ilha.
Um dos exemplos recentes foi a oferta de segurança energética feita pelo regime chinês a Taipé. Com a Guerra do Irã, a ilha corre risco de sofrer escassez de petróleo e gás em decorrência do fechamento do Estreito de Ormuz. Assim, a China ofereceu cobertura em troca de reunificação. A proposta foi recusada.




