Socialistas ganham força entre jovens desiludidos nos EUA – 05/06/2026 – Mundo

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“Quando eles apelam para baixarias, nós apelamos para a nobreza” é um mantra democrata. Mas só funciona se as pessoas acreditarem que os progressistas têm credibilidade para ostentar uma moral elevada. Americanos em número suficiente não acreditam. Para os eleitores da geração Z, essa sinalização de virtude vem diretamente do manual egoísta dos chamados “boomers”.

Os jovens não têm mais probabilidade de respeitar os apelos éticos dos democratas do que de começar a jogar “bridge”, um jogo de cartas. Tentar compreender a política volátil dos Estados Unidos é inútil sem se envolver com o profundo ceticismo de seus jovens.

Entre os democratas mais jovens e conhecidos, dois — Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, e a congressista nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez— autodenominam-se socialistas. Um terceiro, James Talarico, candidato democrata ao Senado, descreve-se como um progressista cristão. Mas ele está concorrendo no Texas, então é tratado como socialista de qualquer forma.

Mais de um terço dos americanos com menos de 30 anos têm uma visão favorável do comunismo, segundo uma pesquisa do Cato do ano passado. Quase dois terços veem o socialismo com bons olhos.

É fácil descartar isso como o típico equívoco juvenil. A geração Z é frequentemente rotulada como avessa ao trabalho, mimada, sem ambição e ignorante. Mas não há nada em sua política que seja tão inspirado por drogas quanto o radicalismo do final dos anos 1960 de seus avós. Não é coisa de hippie desejar moradia acessível ou temer o impacto da IA em seu potencial de ganhos. Nem é stalinismo querer um seguro de saúde universal.

Isso explica por que o provável candidato ao Senado no Maine, Graham Platner, 41, está resistindo a escândalos que teriam acabado com candidatos em ciclos anteriores. Ele já teve uma tatuagem de caveira e ossos de um símbolo usado pela Waffen-SS de Hitler e foi flagrado enviando mensagens sexuais extraconjugais.

No entanto, sua vantagem nas pesquisas é grande o suficiente para ter forçado a competente e livre de escândalos governadora do Maine, Janet Mills, a desistir da disputa.

Mills tem 78 anos. E ela, ao contrário de Platner, não tinha planos para um sistema de saúde de pagador único ou, até mudar de posição, para taxar os ultrarricos americanos. A aparente imunidade de Platner a escândalos mostra que o populismo de esquerda no estilo Bernie Sanders ainda é potente.

A divisão democrata sobre Platner revela uma cisão filosófica muito mais profunda. Profissionais de campanha e democratas eleitos, em sua maioria mais velhos, estão apavorados com a possibilidade de desperdiçar seu capital moral contra Donald Trump por causa da indicação de Platner.

Eles também temem que uma disputa de Platner contra Susan Collins, a veterana republicana moderada do estado, possa comprometer as chances do partido de conquistar o Senado em novembro.

Mas Platner está apelando precisamente para os grupos que os democratas mais urgentemente precisam reconquistar, especialmente os jovens e a classe trabalhadora. Aqueles que conseguiram, como Mamdani, tendem a ser descartados como irrelevantes para os EUA do interior.

A campanha socialista de Mamdani para governar a cidade que ainda é a sede do capitalismo global foi impulsionada pelos jovens e pela classe operária. Alguns dizem que ele venceu apesar de sua hostilidade a Israel. É mais provável que isso tenha ajudado. A lealdade reflexiva a Tel Aviv é vista como outro traço do establishment.

Essa mesma divisão também é visível na direita. Republicanos mais jovens do Maga —além dos chamados populistas de podcast como Tucker Carlson e Candace Owens— são rotineiramente hostis a Israel. Republicanos mais velhos tendem a apoiar Israel incondicionalmente.

A mesma raiz que alimenta o flerte com o comunismo na esquerda também está alimentando o antissemitismo na direita. Não adianta dizer a uma geração que suas opiniões são antiamericanas.

A descoberta mais marcante frequentemente revelada em pesquisas sobre a geração Z é sua falta de patriotismo ufanista. Mais do que qualquer geração anterior nessa ou em qualquer idade, a geração Z rejeita a ideia de que os EUA são moralmente especiais.

Essa alienação é mais raivosa do que o “paz e amor” da geração “flower power”. Luigi Mangione, acusado de assassinar um executivo de plano de saúde em Nova York em 2024, ainda é um herói popular justiceiro para muitos jovens americanos de esquerda e direita —e não apenas por causa de sua aparência.

Membros da geração Z são muito mais propensos a aprovar a violência para resolver disputas políticas. Eles também confiam muito menos na democracia.

Os democratas mais ponderados estão cientes de que simplesmente se opor a Trump não é suficiente para conquistar a lealdade dos americanos mais jovens. A impopularidade bem merecida do atual presidente pode muito bem ser suficiente para eles reconquistarem a Câmara dos Representantes, e talvez o Senado, em novembro. Mas isso será insuficiente em 2028. O partido tem um hábito arraigado de adiar reflexões sérias até depois da próxima eleição, que, como o amanhã, nunca chega.

Os democratas não terão muitas mais chances de mostrar que podem fazer o sistema funcionar para a maioria. Ignorar as queixas às vezes preocupantes, mas em grande parte racionais, da geração Z americana garantiria seu fracasso.



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