O Irã questionou o compromisso dos Estados Unidos com um acordo de paz no Oriente Médio após Israel voltar a bombardear os subúrbios de Beirute, reduto do Hezbollah, neste domingo (14). Segundo a agência estatal de mídia do Líbano, duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas.
A ofensiva ocorreu após Tel Aviv acusar o grupo extremista aliado de Teerã de disparar três projéteis contra o norte do país. A nova escalada militar acontece em meio à pressão do presidente Donald Trump para assinar o acordo ainda neste domingo, data em que completa 80 anos.
Segundo pessoas envolvidas nas tratativas ouvidas pela Reuters, negociadores do Qatar viajaram para Teerã pela manhã para avançar nas negociações. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também fez coro e disse que seu governo se preparava para uma assinatura eletrônica do acordo.
Teerã, por sua vez, ainda se recusava a confirmar o cronograma. O caldo pareceu entornado de vez após a ofensiva. O principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que os ataques colocam em dúvida a capacidade ou a disposição dos EUA de cumprir seus compromissos.
Em um post no X, ele ainda advertiu que será impossível continuar avançando nas tratativas caso os compromissos assumidos não sejam cumpridos. Um comandante militar iraniano advertiu nas redes sociais que o ataque não ficará “sem resposta”.
O novo episódio expõe a fragilidade das negociações e do frágil cessar-fogo em vigor.
Tel Aviv insiste em manter sua campanha militar no país vizinho, cujo parte do território sul foi ocupado for forças israelenses, enquanto o Irã considera um cessar-fogo que inclua o Líbano uma condição importante para o acordo.
Mais cedo, antes do bombardeio, a agência estatal Fars, citando autoridades a par das conversas, informou neste domingo que Teerã ainda não tinha tomado uma decisão final sobre o texto.
O ataque reduzindo as perspectivas de que Teerã e Washington assinassem um documento neste domingo.
Segundo um funcionário iraniano de alto escalão ouvido pela Reuters, a minuta prevê que os EUA liberem US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados, enquanto o Irã se comprometeria a não produzir nem adquirir armas nucleares.
Trump escreveu anteriormente na Truth Social que, após a assinatura de um acordo, estreito de Hormuz, bloqueado por Teerã desde o início do conflito, seria imediatamente “aberto a todos”.
Assim que a via marítima fosse reaberta, os EUA levantariam seu bloqueio naval aos portos iranianos, segundo autoridades de todos os lados do conflito.
As conversas sobre o programa nuclear iraniano, justificativa apresentada por Trump para a guerra e um dos pontos mais sensíveis das negociações, ocorreriam posteriormente.
Em manifestações pró-regime realizadas na noite de sábado em diversas cidades iranianas, grupos da linha dura protestaram contra o acordo.
Na semana passada, um ataque israelense contra os subúrbios da capital libanesa desencadeou uma troca de ataques, aumentando o risco de fracasso de um acordo entre Washington e Teerã para encerrar o conflito mais amplo.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, tem divergido de Trump sobre a pressão dos EUA para que Israel reduza suas operações militares no Líbano e facilite um entendimento com Teerã.
Programa nuclear será discutido depois
Segundo pessoas envolvidas nas negociações ouvidas pela Reuters, o acordo prevê que os EUA liberem bilhões de dólares em ativos congelados e suspendam sanções às exportações de petróleo iranianas em troca da reabertura de Hormuz.
O passo seguinte seria a remoção de minas navais na região, possivelmente com participação de países do G7.
As negociações sobre o programa nuclear iraniano ocorreriam ao longo de 60 dias.
Segundo a autoridade iraniana ouvida pela Reuters, o país concordou em manter o status atual de seu programa nuclear —sem enriquecer mais urânio nem expandir instalações— até a conclusão de um acordo definitivo.
Uma autoridade americana afirmou que o objetivo final é desmontar o programa nuclear iraniano e eliminar seu estoque de urânio altamente enriquecido. Já o representante iraniano disse que a proposta permitiria ao país diluir internamente seu urânio enriquecido.
Os EUA consideram prioritária a eliminação das reservas iranianas de urânio enriquecido, especialmente os 440 kg enriquecidos a até 60% de pureza que, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o país possuía antes dos primeiros ataques.
O Irã nega buscar uma bomba atômica e afirma que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis e pacíficos.




