Preço do petróleo dispara mais de 8% após novos ataques em Hormuz

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo subiu mais de 8% nesta quarta-feira (8) após os Estados Unidos realizarem uma nova série de ataques contra o Irã, sofrerem o revide e anunciarem que o cessar-fogo está suspenso. Também há uma incerteza se o estreito de Hormuz voltará a ser bloqueado, o que impactaria o fornecimento de petróleo.

O barril Brent, referência mundial, atingiu US$ 80,59 (R$ 414,73) por volta das 12h45 (horário de Brasília), disparando 8,67% em relação ao dia anterior. É o maior valor do commodity desde 22 de junho, quando o preço foi a US$ 81,65. Por volta das 14h30, a cotação estava em US$ 78,29 (R$ 402,89), alta de 5,57%.

Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 73,83 (R$ 379,94), alta de 4,81%.

A disparada do petróleo foi resultado do retorno dos temores de um acirramento do conflito no Oriente Médio após novos ataques realizados contra navios-tanques na região. Nesta manhã, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o acordo de cessar-fogo entre seu país e o Irã “acabou” com os ataques retaliatórios da teocracia contra alvos americanos em países do golfo Pérsico.

Trump fez novas críticas ao regime iraniano. “Até onde sei, é só uma perda de tempo lidar com eles [iranianos]. Eles são mentirosos, há algo errado com eles. Eles são loucos. Até onde sei, acabou [o acordo]”, disse o americano ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante a cúpula da aliança militar ocidental em Ancara (Turquia).

Fiel a seu estilo, contudo, Trump disse também que ainda poderá negociar. “Eu vou falar com nossos negociadores. Eles querem negociar, são boas pessoas, [os enviados americanos] Steve Witkoff, Jared Kushner, mas eles têm de falar comigo”, completou.

Na terça-feira, três navios-tanques foram atingidos por bombardeios que os EUA atribuíram ao Irã, que não assumiu a autoria.

Entre a noite de terça e a manhã de quarta, o Centcom (Comando Central dos EUA) divulgou que fez “ataques poderosos contra o Irã” e teria atingido 80 supostos alvos militares iranianos. A Guarda Revolucionária do Irã informou que respondeu com mísseis e drones em 85 supostas instalações militares americanas em países aliados como Bahrein e Kuwait.

Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador do Irã com os EUA, acusou a Casa Branca de “violações graves” do acordo, incluindo a reinstalação de sanções ao petróleo e o lançamento de ataques militares contra o sul do Irã.

“A era do bullying e da extorsão acabou. Não leva a lugar nenhum. Não vamos ceder”, comentou Ghalibaf em uma publicação no X (antigo Twitter).

Apesar dos ataques das duas partes, empresas de dados de navegação afirmaram que algumas embarcações continuaram a atravessar o estreito de Hormuz como um petroleiro da ExxonMobil e pertencente à empresa de navegação japonesa NYK e um navio porta-contêineres da empresa francesa CMA CGM.

Um dia antes, os ataques a navios levaram a Casa Branca a revogar uma licença concedida ao Irã para vender petróleo. A nova escalada do conflito interrompeu a frágil trégua entre Washington e Teerã, em vigor desde o final de junho, e puxaram os preços do petróleo para cima.

Após os novos ataques, autoridades marítimas elevaram o nível de risco para embarcações que transitam pela via navegável para “grave”. Embora o tráfego pelo estreito tenha se recuperado na última semana, ele continua irregular, variando entre um terço e um quinto dos níveis anteriores à guerra.

A decisão de Washington de revogar a licença veio acompanhada de uma advertência ao Irã de que suas ações no estreito eram “totalmente inaceitáveis” e teriam consequências. A Casa Branca concedeu a licença em junho, flexibilizando sanções que duravam décadas como parte de um acordo para reabrir o estreito.

O JMIC (Centro Conjunto de Informações Marítimas), liderado pela Marinha dos EUA, elevou nesta terça o nível de ameaça para a travessia do estreito de “substancial” para “grave”, citando ações hostis deliberadas prováveis nas condições atuais; esta é a primeira vez que o nível de ameaça é definido dessa forma desde 15 de junho.

“As forças do Comando Central dos EUA iniciaram uma série de ataques contundentes contra o Irã para impor um preço elevado por terem visado e atacado embarcações comerciais”, afirmou o comunicado das forças americanas. “A agressão demonstrada pelo Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo”, acrescentou.

O Qatar também culpou o Irã pelo ataque às embarcações, e a chancelaria qatari informou ter convocado o vice-embaixador iraniano e lhe entregado uma nota de protesto após os incidentes.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã, por sua vez, afirmou que as acusações são desconcertantes e que Teerã está cumprindo diligentemente seus compromissos, mas ressaltou que os navios comerciais correm riscos ao usar rotas não coordenadas com o regime.

Uma autoridade ouvida sob anonimato pela Reuters afirmou que os ataques americanos desta terça tiveram como alvo sistemas de defesa aérea, sistemas de vigilância costeira, mísseis terra-ar, mísseis de cruzeiro antinavio e locais de lançamento de drones iranianos.

Com isso, os investidores voltaram a temer pelo fluxo do petróleo e por uma nova interrupção no tráfego em Hormuz. ” Qualquer sugestão de que as negociações tenham fracassado aumenta o risco de novas interrupções no fornecimento ou de sanções mais rigorosas”, afirmou Daniela Hathorn, analista da corretora Capital.com.

QUEDA NAS BOLSAS PELO MUNDO

O acirramento no conflito no Oriente Médio derrubou as principais Bolsas do mundo nesta quarta. A queda maior ocorreu na Ásia com os investidores também impactados pelas dúvidas se a valorização das empresas ligadas ao setor de inteligência artificial atingiram o seu ápice.

A Bolsa de Seul voltou a liderar as perdas ao despencar 5,35%, seguido por Hong Kong (-2,99%) e Tóquio (-2,11%). Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, retrocedeu 0,77%, enquanto o índice SSEC, de Xangai, perdeu 0,49%.

Na Europa, o Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em queda de 1,8%, a 634,91 pontos, seu nível mais baixo em uma semana. A tendência foi seguida em Frankfurt (-2,23%), Londres (-1,66%), Paris (-2,18%), Madri (-2,73%) e Milão (-1,22%).

Já nos EUA, a perda estava um pouco menor, com desvalorizações em Dow Jones (-1,16%), na S&P 500 (-0,44%) e na Nasdaq (-0,16%), por volta das 14h50.

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