
A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, expressou profunda tristeza e preocupação com os relatos de que 144 pessoas morreram ou estão desaparecidas após incidentes marítimos na última semana ao largo da costa da Mauritânia.
Um comunicado divulgado nesta terça-feira, em Genebra, revela que os migrantes e refugiados perderam a vida tentando fazer a perigosa travessia marítima da África Ocidental rumo à Europa, no que confirma “o contínuo e arrasador” custo humano destas rotas.
Entre terça e sexta-feira foram realizadas três operações de resgate e desembarque na cidade costeira mauritana de Nouadhibou. Nessas ações foram socorridas 387 pessoas.
Presente em todos os desembarques e operando ao lado das autoridades nacionais e de parceiros humanitários, o Acnur prestou apoio imediato aos sobreviventes e identificou indivíduos vulneráveis que precisavam de proteção internacional.
As equipes de socorro descrevem um “cenário arrasador” encontrado durante as ações de resgate. Uma das embarcações chegou em terra transportando cadáveres e apenas 38 sobreviventes.
O porta-voz do Acnur, Matt Saltmarsh, contou a jornalistas que entre os sobreviventes desse navio estavam duas crianças que perderam os membros da família durante a viagem e, neste momento, se encontram a recuperar no hospital.
Saltmarsh disse não haver detalhes exatos sobre as vítimas com origem na África Subsaariana, nem clareza sobre as causas dos óbitos. Não se sabe se as mortes foram por afogamento, fome, sede ou outras circunstâncias extremas na travessia.
O Acnur confirmou ainda que uma outra pessoa chegou sem vida numa embarcação diferente, que desembarcou no dia 14 de julho.
A resposta neste ano requer atenção constante das equipes de emergência na região. Até agora, foram registados 17 desembarques nas cidades mauritanas de Nouadhibou e Nouakchott, resultando num total de 2.147 salvamentos.
Apesar do alto número de vítimas recentemente registradas em incidentes isolados, os dados globais da ONU mostram que as chegadas de migrantes e refugiados à Europa pelas principais vias marítimas caíram mais de um terço este ano.
Foram confirmadas pouco mais de 40 mil chegadas no primeiro semestre, uma queda acentuada em comparação com as 65.407 chegadas no mesmo período de 2025.
No entanto, o Acnur alertou que embora o volume total de travessias tenha diminuído, a taxa de mortalidade e o número de desaparecimentos no mar continuam em “níveis alarmantes”.
Para a agência, esta realidade sublinha que a jornada “permanece ainda muito letal”, para aqueles que não encontram uma alternativa senão arriscar suas vidas no oceano.
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