Ceuta instala barreira no mar após invasão de migrantes – 01/08/2026 – Mundo

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A polícia espanhola começou a instalar neste sábado (1º) uma barreira marítima flutuante de 500 metros na fronteira de Ceuta com o Marrocos, após uma tentativa de entrada em massa de migrantes que deixou ao menos 67 mortos.

Segundo autoridades espanholas, cerca de 60 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e mar desde quinta-feira (30), em uma onda sem precedentes em uma das únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África. Mais de 48 mil delas retornaram ao Marrocos em 48 horas sem grandes incidentes, informou a Espanha.

A Guarda Civil começou a instalar a nova barreira às 7h50, horário local (2h50 da madrugada no Brasil) no quebra-mar de Tarajal, um dos principais pontos utilizados por pessoas que tentam entrar no pequeno território espanhol, informou o governo em comunicado.

A barreira, junto com uma linha de boias navais ancoradas, foi projetada para ficar de 30 a 70 centímetros acima da água e se estender até um metro abaixo da superfície, acrescentou o comunicado, enquanto um canal entre as barreiras permitirá que embarcações da Guarda Civil patrulhem a área.

Pelo menos 67 corpos foram recuperados do lado espanhol da fronteira, disseram autoridades, após alguns migrantes se afogarem e outros serem esmagados enquanto tentavam escalar o quebra-mar e a cerca da fronteira. Muitos foram levados a migrar por dificuldades econômicas e encorajados por rumores nas redes sociais.

GOVERNOS DA UE PEDEM REUNIÃO

Ceuta e o outro exclave norte-africano da Espanha, Melilla, ficam na costa mediterrânea do Marrocos e periodicamente enfrentam tentativas de travessia por migrantes que buscam chegar à Europa.

A última tentativa causou divisão na UE (União Europeia), com vários países pedindo à Espanha que garantisse a contenção do incidente.

Vinte e dois governos da UE solicitaram neste sábado uma reunião de emergência dos ministros do Interior sobre a crise em Ceuta, instando o bloco a ajudar Madri a retomar o controle de sua fronteira com o Marrocos.

O primeiro-ministro de centro-esquerda da Espanha, Pedro Sánchez, também pediu aos líderes da UE que convocassem os ministros do Interior com urgência, mas criticou os governos que haviam requerido a exclusão da Espanha do Espaço Schengen, a área de livre circulação do bloco.

O governo de direita da Itália anunciou na sexta-feira (31) que estava suspendendo os acordos de Schengen com a Espanha por um mês.

“No atual contexto internacional, a UE não pode se dar ao luxo desse tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal”, disse Sánchez.

Na carta dos governos da UE à Irlanda, que detém a presidência rotativa do bloco, os países afirmaram que as travessias desafiavam a fronteira externa da UE e arriscavam encorajar mais migração ilegal.

Eles pediram uma resposta coordenada, incluindo possível apoio extra da agência de fronteiras da UE, Frontex, e uma revisão da cooperação com o Marrocos. França, Luxemburgo e Portugal não assinaram a carta, assim como Espanha e Irlanda.

Madri afirmou que as pessoas que entraram em Ceuta de forma irregular não poderiam viajar para a Espanha continental ou para outros lugares da zona Schengen.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores acrescentou que viajantes que deixam Ceuta por mar ou ar passam por verificações policiais de identidade, representando uma segunda camada de controle após a fronteira terrestre com o Marrocos.

Diferentemente da maior parte da Europa, a Espanha adotou uma postura mais aberta em relação aos migrantes, introduzindo um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas sem documentação.

Mas rejeitou sugestões de que o programa de regularização teria encorajado a corrida para Ceuta, afirmando que os candidatos devem comprovar residência na Espanha antes de 1º de janeiro de 2026 e cinco meses contínuos de residência no momento da solicitação.

Sánchez, que visitou Ceuta na sexta-feira, descreveu as travessias como uma violação da soberania territorial da Espanha e disse que a retirada dos migrantes estava sendo acelerada com a cooperação marroquina.



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