O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ventilou a possibilidade de assumir a presidência da Câmara do país “por um curto período de tempo”. Seu objetivo seria “unificar” o Partido Republicano após o caos instalado na Casa com o afastamento inédito do então líder, Kevin McCarthy, no início da semana.
“Me perguntaram se eu aceitaria por um curto período de tempo em nome do partido, até que eles cheguem a uma conclusão”, afirmou Trump à Fox News Digital nesta quinta-feira (5). “Não estou fazendo isso porque quero. Farei se for necessário, caso eles não consigam tomar uma decisão”, disse, acrescentando que, se um consenso não se formar, ele aceitaria o cargo por “30, 60 ou 90 dias”.
Ao ser questionado sobre a mesma possibilidade assim que McCarthy caiu, na terça-feira (3), o republicano confirmou que tinha sido convidado para o cargo, mas reforçou seu foco na campanha presidencial para as eleições de 2024 e disse apenas que “faria o melhor para o país e para o partido”.
Nunca a Câmara foi presidida por alguém que não fosse um representante eleito do Legislativo. A Constituição americana não impede, no entanto, que isso aconteça, contanto que o indicado obtenha o mínimo de votos necessários.
Ao mesmo tempo, as regras do próprio Partido Republicano na Casa indicam que um integrante da legenda deve se afastar da função se estiver respondendo a um processo criminal —e Trump é réu em quatro ações judiciais diferentes.
A hipótese surgiu depois que a Câmara votou para derrubar seu então presidente, McCarthy, diante da rebelião de uma ala radical do Partido Republicano. Aliada de Trump, ela se opunha ao modo como McCarthy vinha conduzindo as negociações com o governo do democrata Joe Biden.
O resultado da votação, inédito na história do país, lançou a Casa num impasse político. Ela fica paralisada até que um novo líder seja eleito —o que depende da decisão dos republicanos para o cargo, já que o partido tem a maioria no plenário. Tanto o líder da rebelião, Matt Gaetz, quanto McCarthy, que poderia concorrer novamente, afirmaram que não tentarão se eleger ao cargo.
Até agora, dois nomes se lançaram oficialmente à corrida: Jim Jordan, de Ohio, e Steve Scalise, da Louisiana. Um dos fundadores da ultraconservadora e autointitulada bancada da liberdade, Jordan é próximo de Trump e preside a Comissão Judiciária, enquanto Scalise é o segundo principal nome do comando do partido na Câmara.
Um novo nome deve ser indicado na próxima terça-feira (10), e a previsão é que a eleição no plenário da Câmara aconteça no dia seguinte, quarta-feira (11). Até lá, a Casa ficará em recesso. Por ora, ela é presidida interinamente por Patrick McHenry.




