Estudantes ocuparam um prédio da Universidade Columbia, em Nova York, na madrugada desta terça-feira (30), horas depois de a instituição ter estabelecido um prazo para que eles desmontassem o acampamento erguido em protestos pró-Palestina no campus.
A reitoria começou a suspender os estudantes que mantiveram o protesto e, como resposta, um grupo entrou no interior do Hamilton Hall, um histórico edifício acadêmico.
Os manifestantes usaram mesas para formar barricadas na entrada do edifício. Segundo o New York Times, muitos estudantes usavam capacetes, óculos de segurança e máscaras. Uma estudante usou um martelo para quebrar parte do vidro de uma porta.
A punição aos alunos é uma forma de reprimir os atos sem a atuação de forças de segurança e detenções, como ocorrido na semana retrasada no campus –o que espalhou a fagulha dos protestos em outras instituições do país.
Os manifestantes fazem três exigências principais: que a universidade se desconecte de empresas que apoiam as Forças Armadas de Israel, transparência nas finanças da universidade e anistia para os estudantes e professores punidos por suas participações nos protestos.
Essa não é a primeira vez que o edifício é invadido. Em abril de 1968, o prédio, inaugurado em 1907, foi o primeiro que centenas de manifestantes ocuparam durante os protestos contra a Guerra do Vietnã. Na época, os estudantes também protestavam contra os planos para a construção de um ginásio universitário em um parque público próximo e contra o envolvimento da instituição em pesquisas de armamentos.
Quase mil ativistas ocuparam cinco prédios, incluindo a reitoria. Eles foram retirados do local por policiais, em uma das maiores prisões em massa da história de Nova York e que teve cenas de violência. Os agentes agrediram os estudantes com cassetetes e arrastaram alguns alunos por degraus.
O mesmo edifício foi tomado em 1972 por manifestantes contrários à Guerra do Vietnã, que acabaria três anos depois, e durante uma greve em 1985 contra o apartheid na África do Sul. Na época, os alunos também pediam que a instituição rompesse laços com empresas que faziam negócios com a África do Sul.
A ocupação da década de 1980 se desfez três semanas depois pouco antes da ordem de um juiz para reabrir o prédio, mas, naquele mesmo ano, a administração da Columbia votou pela venda de todas as ações da universidade em empresas americanas que faziam negócios no país africano.




