Morte de Khashoggi foi incidente infeliz, diz saudita – 01/05/2024 – Mundo

Morte de Khashoggi foi incidente infeliz, diz saudita - 01/05/2024


O jornalista saudita Jamal Khashoggi foi assassinado e esquartejado por agentes sauditas dentro do consulado do país em Istambul em 2018. O príncipe herdeiro e atual primeiro-ministro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, é acusado de ser o mandante do crime.

Para Bander Alsulami, diretor de Informações da Autoridade Geral de Regulação de Mídia da Arábia Saudita, no entanto, a morte de Khashoggi foi um “incidente infeliz”, e seu país não pode ser definido por isso.

Alsulami esteve no Brasil participando da reunião do G20 nesta quarta-feira (1º) sobre integridade de informação –que tratou, entre outros temas, de liberdade de imprensa.

A Arábia Saudita é um dos países integrantes do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo. O Brasil está na presidência do grupo neste ano e vai realizar diversas reuniões que culminam na cúpula de chefes de Estado, em novembro, no Rio de Janeiro.

Os sauditas, no entanto, têm se posicionado de forma divergente nos grupos de trabalho de empoderamento de mulheres e bioeconomia —por conta da oposição à transição energética.

No ranking de liberdade de imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras, a Arábia Saudita aparece na 170º entre 180 países. Alsulami conversou com a Folha após falar em mesa na reunião do G20, em São Paulo.

O G20 é um grupo bastante diverso em relação às visões dos países-membros sobre liberdade de expressão. A Arábia Saudita tem uma visão bem específica, bem particular sobre o tema…

Eu não diria que é específica. Nós sempre apoiamos a liberdade de expressão, mas nós temos nossos valores e nossa cultura. Estamos abertos para discussões, mas para formar uma opinião [sobre a liberdade de expressão no país], vocês têm que vir para a Arábia Saudita, falar com as pessoas nas ruas.

O senhor acha que existe uma percepção errada?

Com certeza. Se as pessoas fossem falar com os sauditas, veriam isso.

O senhor acredita que ainda existe uma mancha na reputação da Arábia Saudita por causa do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi?

Esse incidente reforçou opiniões preconcebidas sobre a Arábia Saudita. É importante ressaltar que a base de usuários de plataformas digitais na Arábia Saudita no Snapchat, Twitter, é uma das maiores do mundo. Cidadãos de todas as idades usam as plataformas, e também o governo. Eles podem se comunicar, podem reclamar, não tem problema.

A imagem da Arábia Saudita foi prejudicada após o assassinato de Khashoggi?

Eu não diria que a imagem ficou prejudicada. Um incidente infeliz aconteceu.

Há injustiça?

Reforçou preconceitos.

Mas ele foi morto…

Foi um incidente infeliz, aconteceu, passou bastante tempo, muitas coisas aconteceram depois disso, pessoas foram punidas [os agentes que participaram diretamente do assassinato foram julgados]. Se você fica toda hora voltando para um incidente para definir um país, isso diz mais sobre você do que sobre o país. É como dizer que o Brasil se resume a futebol.

Vocês têm legislação para coibir disseminação de desinformação?

Algumas leis já cobrem isso, mas o governo está discutindo uma nova legislação de mídia. As pessoas podem dar suas opiniões, podem discutir, mas não podem espalhar desinformação.

Qual é a sua definição de desinformação?

Quando alguém mente de propósito para promover uma agenda política. Não importa se é uma pessoa, uma empresa, ou a mídia estrangeira.

E quem determina se é desinformação?

Existe uma autoridade de mídia, mas também temos o sistema judiciário.

Na sua apresentação o senhor mostrou o resultado de uma pesquisa da Edelman que mostrava a mídia da Arábia Saudita como uma das mais confiáveis do mundo, sétimo lugar no ranking. A que se deve isso? É a mídia estatal?

Se você falar com as pessoas locais, você vai saber a resposta. Os sauditas podem dizer como eles confiam nas agências governamentais, nos discursos de autoridades.

As que são mais confiáveis são as mídias estatais?

Não, nós temos mídia privada. Uma mídia alinhada com nossas necessidades, com os temas que queremos discutir. De fora, as pessoas podem pensar: como você pode confiar na mídia? Mas dentro do país, você vai ver como nos comunicamos. As pessoas são livres para discutir. Mas elas precisam estar alinhadas com a nossa cultura, entender e respeitar as diferenças.



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