O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (13) que removeria todas as sanções contra a Síria, afirmando que as medidas cumpriram uma função importante, mas que agora era hora de o país avançar.
“Ordenarei o fim das sanções contra a Síria para dar a eles uma chance de grandeza”, disse o republicano em um fórum de investimentos em Riad, na Arábia Saudita, onde começou um giro pelo Oriente Médio. “É hora de eles brilharem. Estamos removendo todas elas. (…) Boa sorte, Síria, mostre-nos algo muito especial.”
A medida, anunciada após pedido do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, representa um grande impulso para o presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa. No poder desde a queda de Bashar al-Assad, em dezembro do ano passado, Sharaa tenta estabilizar o país sob desconfiança do Ocidente.
A Casa Branca afirmou também que Trump cumprimentaria Sharaa durante sua visita nesta quarta-feira (14), enquanto duas pessoas ligadas à Presidência síria disseram à Reuters que o líder viajaria a Riad para se encontrar com o republicano.
Em comunicado à agência de notícias, o ministro das Relações Exteriores sírio, Asaad Shibani, comemorou a notícia. Em publicação no X, ele disse que a decisão do presidente dos EUA marcou um “novo começo” na reconstrução de seu país.
Shibani ainda agradeceu a Arábia Saudita por facilitar a remoção das sanções dos EUA à Síria.
O encontro colocaria lado a lado um presidente dos EUA e um ex-membro de um grupo ligado a Al Qaeda que passou cinco anos em uma prisão americana no Iraque. O HTS (Organização para a Libertação do Levante, na sigla árabe), grupo que Sharaa liderou e que foi formalmente dissolvido em janeiro, é considerado uma organização terrorista pelos EUA e a ONU.
As duras sanções que Washington impôs à Síria durante o regime de Assad foram mantidas desde que ele foi derrubado, após mais de 13 anos de guerra civil. A Arábia Saudita tem sido uma das principais vozes pedindo o levantamento das sanções.
No entanto, Shaara é descrito por analistas como um extremista que, desde 2016, quando rompeu relações com a Al Qaeda, adotou uma postura mais moderada para alcançar seus objetivos. Com o passar dos anos, parou de usar o turbante típico dos jihadistas e também abandonou o codinome de guerra, Abu Mohammed al-Jolani, e passou a usar seu nome verdadeiro, Ahmed al-Sharaa.
Há temores de que, a exemplo do que ocorreu no Afeganistão, Sharaa implemente a lei islâmica, também chamada de sharia. Esse conjunto de regras normalmente exige, entre outras coisas, que os homens se cubram da barriga até o joelho e as mulheres se cubram completamente, podendo deixar apenas o rosto, os pés e as mãos à mostra.




