
SÃO PAULO,SP (FOLHAPRESS) – Um homem de 36 anos foi preso na segunda-feira (23) em São Paulo suspeito de matar a esposa, identificada como Priscila Versão, 22 . Ela era amiga de Tainara Souza Santos, 31, morta após ser arrastada por cerca de 1 km pelo carro dirigido por Douglas Alves da Silva, com quem havia mantido um relacionamento no passado.
O suspeito foi identificado como o motorista Deivit Bezerra Pereira. Ele e Priscila têm dois filhos juntos, os dois com menos de dez anos.
A reportagem ligou para o número de telefone que consta no cadastro da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) da defesa de Deivit, mas não conseguiu contato.
Familiares de Tainara disseram que Priscila chegou a participar de um dos protestos contra o atropelamento, em novembro do ano passado. Tainara permaneceu 25 dias internada até morrer no Hospital das Clínicas na véspera do Natal.
A morte de Priscila foi constatada no Hospital Municipal Vereador José Storopolli, no Parque Novo Mundo, zona norte da capital paulista -a unidade é a mesma para onde Tainara foi levada logo após ser arrastada pelo carro de Douglas, que também está preso.
Funcionários da unidade de saúde acionaram a Polícia Militar. Priscila havia sido levada até o local por Deivit.
Os agentes ouviram dos funcionários que o corpo de Priscila apresentava rigidez, múltiplas escoriações e lesões no rosto, nas costelas, nas pernas e nos braços, além de uma queimadura recente em um dos braços.
No hospital, Deivit aparentava estar nervoso, chorava e exalava forte cheiro de combustível, segundo o boletim de ocorrência. Além disso, suas roupas estavam encharcadas de gasolina.
Ele disse aos policiais que havia passado a noite com Priscila em um bar. O casal teria discutido e, por isso, ele a teria deixado sozinha. Segundo o relato, Deivit pegou o carro, foi até um posto de combustível no Parque Novo Mundo, comprou gasolina e despejou sobre o veículo e sobre o próprio corpo com a intenção de se suicidar, mas desistiu.
Deivit disse ter voltado ao endereço do bar, onde teria encontrado Priscila caída no chão, desacordada, com sangramento no nariz. Ele disse que a colocou no carro e seguiu para o pronto-socorro.
Os policiais militares que atenderam à ocorrência confirmaram o forte odor de combustível dentro do veículo, além de diversas manchas de sangue no interior do carro. Tufos de cabelo também foram encontrados.
Na delegacia, a mãe de Priscila relatou que a filha vivia um relacionamento abusivo, marcado por ciúme excessivo, controle, ameaças e agressões físicas. Ela disse ter ouvido anteriormente um áudio no qual Deivit ameaçava a filha, afirmando que “cortaria a cabeça dela” caso ela o denunciasse.
Segundo a mãe, Priscila nunca registrou queixa. Para a Polícia Civil, ela já estava morta quando deu entrada no hospital.
O carro e o celular de Deivit foram apreendidos. Ele permaneceu em silêncio durante o interrogatório. A Justiça converteu, nesta terça-feira (24) a prisão em flagrante em preventiva, ou seja, sem prazo.
O caso foi registrado como feminicídio no 73º DP (Jaçanã).
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