Por trás de sorriso amigável, novo prefeito de Nova York se mostra implacável em disputas internas – 18/03/2026 – Mundo

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Zohran Mamdani estava prestes a completar sua ascensão triunfante à Prefeitura de Nova York em novembro quando saiu da campanha eleitoral para cuidar de um assunto menos agradável.

Ele havia ficado sabendo que um colega jovem de esquerda, o vereador Chi Ossé, do Brooklyn, estava se preparando para desafiar o deputado Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara. O vereador, inspirado pela campanha insurgente de Mamdani, talvez esperasse ter seu apoio.

Mas quando Mamdani ligou para Ossé na véspera do dia da eleição, o futuro prefeito de Nova York estava furioso. Ele disse ao vereador que ele não poderia vencer e que, se iniciasse uma briga de alto perfil político como aquela, prejudicaria a esquerda. Então começou o jogo pesado.

Primeiro, Mamdani disse a Ossé que gostaria de torná-lo uma figura-chave em sua coalizão de governo —imaginando o vereador ao seu lado, por exemplo, quando anunciasse uma nova faixa exclusiva de ônibus em seu distrito— mas apenas se ele desistisse da candidatura, segundo três pessoas familiarizadas com a ligação. Depois, fez o que Ossé descreveu a conhecidos como uma ameaça mais explícita, dizendo que, se seu aliado persistisse, ele o excluiria completamente.

Após o término da ligação, um email esperava na caixa de entrada de Ossé: seu convite para a festa de vitória de Mamdani no dia seguinte havia sido cancelado.

No ano desde que Mamdani, 34, irrompeu no cenário político da cidade, ele desempenhou com entusiasmo o papel de guerreiro alegre. Jovem, idealista e de humor autodepreciativo, ele parecia pairar acima da cultura política notoriamente implacável de Nova York no caminho da obscuridade ao poder.

Mas vários incidentes descritos por pessoas próximas a ele —incluindo a ligação não relatada anteriormente com Ossé— oferecem um vislumbre de outro lado igualmente importante do novo prefeito, frequentemente oculto por seu sorriso onipresente. O que emerge é um político pragmático e astuto no auge de seus poderes e sem medo de usá-los, mesmo que isso signifique dar uma cotovelada em velhos amigos e comprometer sua pureza ideológica como socialista democrático.

Mais de uma dúzia de pessoas falaram extensamente sobre o que veem como uma desconexão entre suas personalidades pública e privada, mas insistiram em permanecer anônimas porque temiam as consequências de irritá-lo. Ossé recusou-se a comentar.

Outros argumentam que Mamdani está fazendo apostas inteligentes para aprovar suas prioridades políticas em Albany, capital do estado de Nova York, e fortalecer o poder do socialismo democrático. O prefeito, dizem, não está interessado em causas perdidas, mesmo as nobres.

Quando questionado sobre as recentes manobras políticas de Mamdani, Morris Katz, seu principal assessor político, disse: “O prefeito é incrivelmente popular, e ele vai aproveitar essa popularidade. As pessoas deveriam entender isso e ficar do lado certo”.

As demonstrações estratégicas de Mamdani às vezes vieram a público. Ele recentemente presenteou o presidente Donald Trump com uma capa de jornal simulada com o rosto de Trump, agradando o ego de um homem que ele uma vez chamou de “déspota”, para atraí-lo a financiar a construção de moradias. Ele apoiou a governadora Kathy Hochul, uma moderada detestada pela esquerda, contra um desafiante progressista nas primárias porque ela está ajudando-o a expandir creches gratuitas.

Nos bastidores, porém, Mamdani exerceu seu poder de maneiras ainda mais pessoais e frequentemente surpreendentes, incluindo pressionar grupos progressistas sem fins lucrativos, ignorar amigos próximos e entrar em conflito com uma aliada de destaque que tentava garantir seu legado.

Muitos dos exemplos mais claros das táticas de Mamdani envolvem agradar Hochul, que tem o poder como governadora de fazer ou destruir o governo do prefeito.

Quando era deputado estadual, Mamdani era um crítico da governadora, tendo dito uma vez que suas decisões eram “o motivo pelo qual as pessoas não confiam em políticos”. Como prefeito, porém, ele não apenas optou por evitar confrontos públicos com Hochul, mas usou seu capital político em favor dela.

Em fevereiro, Mamdani soube que o Working Families Party, um influente partido de esquerda, estava se movendo para potencialmente apoiar o vice-governador de Hochul, Antonio Delgado, em uma primária democrata contra ela. Um endosso do grupo prometia dar novo fôlego à campanha de Delgado e causar dores de cabeça para a governadora.

Mamdani trabalhou para impedir isso. Junto com dois assessores políticos, Katz e Andrew Epstein, ele passou horas ao telefone pressionando membros do comitê consultivo do partido, que votaria sobre o endosso.

Mamdani não fez ameaças diretas, disseram pessoas familiarizadas com as ligações. Mas o prefeito e seus assessores disseram a eles que achavam que um endosso a Delgado seria um gesto desperdiçado que poderia prejudicar a relação de trabalho da esquerda com Hochul.

Mamdani sabia que muitos membros do partido nunca apoiariam Hochul, dada sua oposição ao aumento de impostos e outras prioridades de esquerda, mas os pressionou a simplesmente permanecerem neutros na disputa.

Quando o partido votou em fevereiro, ele conseguiu o que queria —e ligou para Hochul para garantir que ela soubesse de seu papel. Alguns dias depois, Delgado desistiu da disputa, deixando Hochul sem oposição para a indicação democrata.

O prefeito despendeu uma quantidade incomum de esforço tentando influenciar um punhado de disputas estaduais e no Congresso, frequentemente de maneiras que dividiram sua própria coalizão.

O caso mais notável começou em novembro, quando a deputada Nydia Velázquez, uma reverenciada matriarca da esquerda, anunciou inesperadamente sua aposentadoria. Ela havia sido a primeira parlamentar a apoiar a campanha de Mamdani para prefeito, e agora esperava que ele não interferisse em seu desejo de que um de seus protegidos a sucedesse.

Velázquez, 72, e o prefeito discutiram em particular vários candidatos potenciais, incluindo uma que ela achava que ambos poderiam apoiar, a vereadora Tiffany Cabán —que é porto-riquenha, como Velázquez, e socialista democrática, como Mamdani.

Ele tinha outras ideias. Cabán havia sido uma crítica de sua decisão de concorrer a prefeito, e os assessores de Mamdani não escondiam sua antipatia por ela. Ele começou a limpar o caminho para outra candidata, Claire Valdez, uma deputada estadual de primeiro mandato de fora do círculo de Velázquez que estava estreitamente alinhada com Mamdani dentro dos Socialistas Democráticos da América (DSA na sigla em inglês).

Em janeiro, depois que Mamdani havia pedido a Velázquez que tentasse permanecer neutra na disputa, ela foi pega de surpresa quando ele endossou publicamente Valdez, usando sua popularidade para ajudar a excluir Cabán, segundo três pessoas familiarizadas com suas trocas.

Velázquez se sentiu desrespeitada. Ela logo apoiou outro protegido, Antonio Reynoso. Agora, o que poderia ter sido uma transição tranquila se transformou em uma das primárias mais acirradas do estado, testando a influência política de Mamdani contra a de Velázquez e outros progressistas que ficaram do lado de Reynoso.

Velázquez recusou-se a comentar para esta reportagem, mas anteriormente havia dito ao New York Times que as ações de Mamdani arriscavam criar uma divisão na esquerda.

E então houve o caso de Ossé.

Após a ligação de novembro, Mamdani cumpriu a promessa de tentar impedir a campanha do vereador, comparecendo pessoalmente a uma reunião do DSA para pressionar os membros a não apoiá-lo, apesar da antipatia deles por Hakeem Jeffries.

Depois que o grupo ficou do lado do prefeito em uma votação, Ossé desistiu da disputa em dezembro. Três meses depois, os dois homens não se reconciliaram.



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