A taxa de aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estagnou nos níveis mais baixos de seu mandato, mostra uma pesquisa da Reuters/Ipsos, realizada em meio à guerra com o Irã e a ataques públicos contra o papa Leão 14.
O levantamento, realizado ao longo de seis dias e concluído na segunda-feira (20), mostrou que apenas 36% dos americanos dizem aprovar o desempenho de Trump no cargo, índice estável em relação ao mês anterior. Na outra ponta, 62% da população afirma que desaprova seu governo.
O republicano atingiu seu maior índice de aprovação neste mandato, de 47%, logo após tomar posse em 20 de janeiro do ano passado. Uma ferramenta do jornal The New York, que faz uma média de diferentes pesquisas no país, mostra que a aprovação de Trump depois ficou em torno de 40% por vários meses, mas caiu abaixo desse nível com o aumento da inflação e do preço da gasolina no país após o início do conflito.
Trump tem enfrentado pressão interna, incluindo entre aliados, desde que seu governo e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã em fevereiro, que provocou forte alta nos preços da gasolina. Hoje, 36% dos americanos dizem aprovar os ataques militares dos EUA contra o país persa, em comparação com 35% na pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 10 e 12 de abril.
O levantamento mais recente ouviu 4.557 adultos nos EUA e foi conduzido online. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
A pesquisa ainda mostrou que muitos americanos, incluindo alguns membros do Partido Republicano, têm preocupações sobre o temperamento e a clareza mental do presidente de 79 anos, após uma série de declarações explosivas e brigas públicas.
Apenas 26% dos americanos disseram considerar Trump “equilibrado”. Os republicanos se dividiram nessa questão: 53% dizem que sim, 46% que não, enquanto uma pequena parcela não respondeu. Entre democratas, só 7% compartilham dessa avaliação.
Trump tem adotado um comportamento errático nas últimas semanas. O presidente publicou uma ameaça nas redes sociais de destruir a civilização do Irã e atacou o papa Leão 14, chamando-o de “fraco”, após o pontífice criticar sua campanha militar no Oriente Médio.
Trump ainda ameaçou, mais de uma vez, destruir todas as pontes e usinas de energia do Irã.
Cerca de metade (51%) dos americanos disseram que a clareza mental de Trump piorou no último ano — incluindo 14% dos republicanos, 54% dos independentes e 85% dos democratas .
Os ataques ao papa Leão chamam atenção também porque o pontífice é mais bem avaliado que o presidente. Cerca de 60% dos entrevistados dizem ter opinião favorável ao líder religioso, contra 36% que dizem o mesmo de Trump.
O pontífice também supera nomes democratas conhecidos, como o governador da Califórnia, Gavin Newsom, e a ex-vice-presidente Kamala Harris.
A pesquisa mostra ainda que apenas 16% dos americanos apoiam a saída dos EUA da Otan, medida já defendida por Trump.
A guerra com o Irã provocou um aumento nos preços da gasolina, afetando as finanças da maioria da população. A aprovação de Trump na condução do custo de vida é de 26%, empatando com seu pior índice até agora. Da mesma forma, só 26% dizem que a ação militar no Irã compensou seus custos.
Apenas 25% dos entrevistados —incluindo 6% dos democratas e 57% dos republicanos— disseram acreditar que os ataques dos EUA ao Irã tornariam o país mais seguro.




