O Exército de Israel afastou dois soldados do serviço de combate e os colocou em prisão militar por 30 dias após destruírem um crucifixo no sul do Líbano.
Uma foto que mostrava um soldado israelense usando o lado cego de um machado para golpear uma estátua caída de Jesus na cruz gerou ampla revolta pública na segunda-feira (20) por parte de políticos israelenses, dos Estados Unidos e de líderes religiosos.
A imagem foi publicada por Younis Tirawi, um repórter palestino que também já havia divulgado fotos de aparente má conduta de soldados israelenses na Faixa de Gaza.
Um comunicado militar afirmou que uma investigação sobre o incidente revelou que um soldado danificou um símbolo religioso cristão, enquanto outro fotografava o ato. Seis outros soldados estavam presentes sem tomar nenhuma atitude ou interferir, segundo o comunicado. O Exército israelense disse estar trabalhando com a comunidade local para substituir a estátua.
O chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, condenou a profanação da estátua como conduta inaceitável e uma falha moral, de acordo com o comunicado.
Esse tipo de punição é raro no Exército israelense, segundo grupos de direitos humanos que monitoram a corporação. Em 2025, o grupo de monitoramento de conflitos Ação contra a Violência Armada afirmou ter constatado que Israel encerrou ou deixou sem solução 88% dos casos de suposta má conduta em Gaza e na Cisjordânia.
Em um caso recente, as acusações contra soldados acusados de abusar sexualmente de um detento em Gaza foram retiradas.
A agência Reuters confirmou que a imagem foi tirada em Debel, uma das poucas aldeias no sul do Líbano onde os moradores permaneceram durante a campanha militar israelense contra o grupo Hezbollah, apoiada pelo Irã. A ofensiva começou em 2 de março, depois que o grupo lançou foguetes contra Israel em apoio ao Irã.
Debel é uma das dezenas de aldeias no sul do Líbano que agora estão sob ocupação israelense de fato. Israel e Líbano concordaram na quinta-feira com um cessar-fogo mediado pelos EUA, com o objetivo de interromper os combates entre Israel e o Hezbollah.
Um oficial israelense havia dito anteriormente à Reuters que as aldeias cristãs no sul do Líbano não receberam ordens de retirada, ao contrário das aldeias muçulmanas xiitas.
Parlamentares libaneses expressaram preocupação com o fato de as ações israelenses poderem exacerbar as tensões sectárias. O Exército de Israel vem realizando demolições em vilarejos no sul do país, afirmando estar agindo contra infraestrutura pertencente ao Hezbollah.



