Lula e Merz ensaiam diálogo entre potências médias – 21/04/2026 – Mundo

Lula e Merz ensaiam diálogo entre potências médias - 21/04/2026


Luiz Inácio Lula da Silva (PT) claramente elegeu dois assuntos para martelar em sua visita à Alemanha, nesta semana: biocombustíveis e os reflexos da guerra do Irã no cenário global. Friedrich Merz não se esquivou do segundo tema, mas preferiu o primeiro. Em um ato mais necessário do que natural, Brasil e Alemanha ensaiaram o diálogo da vez no cenário internacional, a união de potências médias.

O termo foi cunhado por Mark Carney, primeiro-ministro canadense, em discurso poderoso no Fórum Econômico de Davos, em janeiro, que mereceu pouca atenção no Brasil. “Quem não estiver à mesa, estará no cardápio”, declarou o político, eleito no ano passado em um Canadá revoltado e ou apavorado com Donald Trump.

Carney, em resumo, afirmou que as potências médias não tinham alternativa, ou se juntam ou serão digeridas pelos países mais poderosos, “os que usam armas contra os outros”, como definiu Lula em conferência de imprensa ao lado do premiê alemão.

Talvez ainda soe impreciso colocar países tão diferentes em uma mesma classificação, mas a semântica de Carney trata das nações que não querem e não podem se impor às outras pela força.

Uma defesa do multilateralismo e também uma constatação. Naquele mesmo janeiro, a União Europeia corria para finalizar o acordo de livre comércio com o Mercosul. Bruxelas, em seguida, buscou ou fechou parcerias em algum grau semelhantes com Índia, Vietnã e Austrália. O próprio Canadá reabriu conversas com o bloco sul-americano.

Em março, Jean-Noël Barrot, ministro francês de Relações Exteriores, declarou em uma palestra em Berlim que o país de Carney deveria integrar a UE. Era um esforço de retórica, mas, nesta semana, Marta Kos, comissária europeia responsável por coordenar as adesões ao bloco, teve que responder em audiência no Parlamento que isso não era possível.

Do tarifaço de Donald Trump ao fechamento do estreito de Hormuz, o que era apenas geopolítica ganhou tons de política de sobrevivência. O discurso de Lula ilustra a mudança: há um ano, rebatia as críticas europeias por ter comparecido à festa de 80 anos do fim da Segunda Guerra em Moscou, instrumentalizada por Vladimir Putin; agora, a invasão russa da Ucrânia entrou na mesma prateleira em que o presidente brasileiro coloca Gaza, Venezuela, Irã e potencialmente Cuba.

Em Hannover, em ao menos cinco manifestações públicas sobre a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU, Lula não poupou nenhum de seus integrantes permanentes, de Putin ao colega mais próximo, Emmanuel Macron.

Não por acaso, dos poucos resultados efetivos das chamadas Consultas Intergovernamentais de Alto Nível Brasil-Alemanha foi o anúncio, feito por Merz, de que o governo brasileiro votará a favor do pleito alemão de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança; ou do anúncio, feito por Lula, de que a filial catarinense da alemã Thyssenkrupp construirá mais quatro fragatas da classe Tamandaré para a Marinha brasileira além das quatro que serão entregues em 2028.

Aquisição de equipamentos de defesa, cooperação em segurança, minerais críticos e estratégicos, tecnologias quânticas, ambiente e outros itens aparecem nas 13 declarações e acertos finalizados em duas reuniões na segunda-feira (20). Curiosamente, biocombustíveis, tema econômico preferido de Lula em Hannover, passa ao largo do documento.

Ainda assim, Merz comprou a ideia, repetindo um raciocínio que usou quando defendeu o adiamento do motor à combustão na Europa meses atrás: “Temos mais de um bilhão de veículos [convencionais] que continuarão rodando. Não vai dar para resolver isso só com carro elétrico”. É detalhe que a indústria alemã apanha para acompanhar a corrida tecnológica de mobilidade elétrica com a China.

O “preconceito” ou veto “ideológico”, como descreveu Lula, ao diesel feito a partir de soja brasileira, porém, é uma questão europeia. Merz pode ajudar, mas não prometer, como cuidadosamente deixou claro em seus discursos ao lado do presidente brasileiro.

A dupla até que se esforçou, mas o encontro foi marcado pela falta de naturalidade. A comitiva de Lula atrasou 24 minutos para chegar ao grande momento da visita, a abertura da Hannover Messe, maior feira industrial do mundo, que tem o Brasil como convidado especial nesta edição —assessores não souberam dizer o motivo do atraso.

Merz, por seu turno, promoveu uma degustação gourmetizada de salsichão, depois que Lula expressou o desejo de comer o típico Wurz em uma barraca de rua. Deu ainda ao presidente brasileiro uma miniatura de Fusca, talvez um presente pouco criativo para quem liderou greves na fábrica da Volkswagen durante a ditadura militar.

“Eu tinha que vir à Alemanha”, repetiu Lula em ao menos três discursos nesta semana. A Alemanha tinha que receber o Brasil, parceiro histórico e comercial relevante, declarou Merz mais de uma vez. O que já seria natural virou obrigatório “em uma época de grandes mudanças geopolíticas e geoeconômicas”, como resumiu o premiê, um conservador, em diálogo pragmático com um ícone da esquerda mundial.



Fonte CNN BRASIL

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