Dólar fecha a R$ 4,91, menor nível em mais de dois anos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em queda de 1,09%, cotado a R$ 4,912, nesta terça-feira (5), beneficiado pelo maior apetite global por risco e pela repercussão da ata do Copom (Comitê de Política Monetária). A moeda norte-americana encerrou o dia no menor valor desde 26 de janeiro de 2024, quando havia atingido R$ 4,911.

Durante o pregão, a queda dos preços internacionais do petróleo levou investidores a buscarem ativos de maior risco, como mercados emergentes e ações.

Por outro lado, o documento do Banco Central reforçou uma postura mais cautelosa, interpretada como positiva por analistas do mercado local ao sustentar o diferencial de juros do Brasil.

A Bolsa brasileira acompanhou o movimento e avançou 0,62%, aos 186.753 pontos. O destaque da sessão foi a Ambev -que subiu até 17%, após divulgar resultados mais fortes do que o esperado no primeiro trimestre.

Investidores continuaram acompanhando o cenário de tensão no Oriente Médio nos mercados doméstico e internacional. Relatos de passagens de embarcações animaram analistas e reverberaram nas cotações de petróleo.

O conflito no Oriente Médio bloqueia o fluxo no estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás. A paralisação tem gerado um temor de um repique inflacionário global por levar os preços de petróleo a dispararem.

As cotações da commodity subiram mais de 5% na segunda-feira (4), mas registram queda durante o pregão desta terça. Por volta das 17h, o Brent, referência mundial, era negociado a US$ 110,13, em queda de 3,78%.

O comportamento de apetite por risco foi global. Nos EUA, as Bolsas S&P 500 e Nasdaq registraram recordes de fechamento e encerraram com altas de 0,88%, a 7.263 pontos, e 1,03%, a 25.326 pontos, respectivamente.

No câmbio, o dólar também se desvalorizou frente a moedas emergentes, como peso mexicano e rand sul-africano.

O ânimo foi despertado pela passagem de navegações pelo estreito. Segundo a empresa Maersk, uma das principais do transporte marítimo, um de seus navios-petroleiros, Alliance Fairfax, conseguiu atravessar a via sem incidentes.

As incertezas, contudo, persistem. Nesta tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a capacidade militar do Irã e disse que o país deveria “hastear a bandeira branca”. Teerã, por sua vez, aumentou o tom das ameaças.

“Sabemos perfeitamente que a continuidade da situação atual é insustentável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem começamos”, disse Mohamad Bagher Ghalibaf, chefe do Parlamento e o principal negociador do Irã, em uma mensagem na rede social X (ex-Twitter).

No ambiente doméstico, ata do Copom foi o destaque. No documento divulgado nesta terça-feira, o comitê disse ver impacto do conflito no Oriente Médio sobre a inflação e piora nas expectativas no longo prazo.

O colegiado do Banco Central optou por um ajuste conservador após ver as projeções para inflação mais distantes da meta de 3% e não sinalizou abertamente o rumo de seus próximos movimentos.

O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de meta contínua, o Banco Central considera o objetivo descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).

No acumulado de 12 meses até março, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) chegou a 4,14%. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), que sinaliza uma tendência para a inflação oficial do país, mostrou em abril pressão sobre preços de combustíveis e alimentos.

O comitê, contudo, afirmou que os eventos recentes não impedem a continuação do ciclo de queda de juros, julgando a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica como a mais adequada.

Dirigentes do Copom já afirmaram que o ritmo de corte deve continuar por aqui pela Selic estar com uma “gordura extra”.

Analistas afirmam que a ata não define os próximos passos do Copom, mas reforça uma postura de maior cuidado da instituição.

Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, a ata do Copom deve ser lida como uma peça-chave para calibrar as apostas sobre a Selic, “especialmente depois da alta recente do petróleo e da elevação das incertezas geopolíticas no Oriente Médio”.

Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, reforça que a ata não sinaliza corte em junho, mas também não descarta o cenário-base de reduções. “Avaliamos que a ata de hoje segue consistente com a nossa expectativa de que o comitê cortará a Selic”, diz

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, afirma que o comunicado reforça que a taxa está sendo reprecificada para cima. “Para o investidor, a leitura prática é que juro real alto veio para ficar mais tempo”.

A postura mais cautelosa do Copom sinaliza que o diferencial de juros do Brasil deve se manter, principalmente em relação aos EUA. Na quarta-feira passada, o Fed manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%. No mesmo dia, o Copom anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic a 14,5% ao ano.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, vê uma combinação de dólar global mais fraco e fluxo favorável para ativos de risco favorecendo o Brasil. “Há uma percepção de descompressão no Irã, apesar de o cessar-fogo continuar frágil. Ao mesmo tempo, o mercado local ainda se beneficia do diferencial de juros”.

Para Márcio Rialba, head da mesa de operações da StoneX, o dólar em queda sinaliza o diferencial de juros doméstico voltando a pesar. “A combinação de dólar global mais comportado, entrada de recursos para renda fixa local e desempenho favorável das commodities sustenta o real. Além disso, a leitura de política monetária ainda contracionista no Brasil reforçam o carry trade”.

No carry trade, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhos com o diferencial de juros. O comportamento é citado como um dos principais responsáveis pela alta recente da Bolsa e do real.

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