O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, voltou a enfrentar pressão nesta segunda-feira (11) após quatro assessores ministeriais deixarem seus cargos e mais de 60 deputados de seu partido pedirem publicamente sua renúncia.
Em discurso a integrantes do Partido Trabalhista em Londres, Starmer pediu apoio e tentou afastar a possibilidade de uma disputa interna pela liderança, afirmando que isso mergulharia o país no caos. Também prometeu um governo mais ousado.
A fala, porém, teve pouco efeito sobre a crise provocada pela derrota histórica nas eleições locais da semana passada. Quatro assessores ministeriais renunciaram, afirmando que o premiê não é capaz de conduzir o partido até a próxima eleição nacional, prevista para 2029.
“Está claro que o primeiro-ministro perdeu autoridade dentro do partido e no país”, escreveu Tom Rutland, assessor do Ministério do Meio Ambiente, em sua carta de demissão. Segundo o jornal britânico The Guardian, a ministra de Relações Exteriores, Yvette Cooper, teria dito a Starmer que ele deveria garantir uma transição ordenada de poder.
Catherine West, uma ex-vice-primeira-ministra vista como uma possível desafiante à liderança após criticar o governo de Starmer no domingo (10), disse à Reuters ter recebido 80 respostas apoiando sua exigência de que o premiê estabelecesse um cronograma de saída. Ela pediu que uma eleição pela liderança acontecesse em setembro.
Dois dos aliados mais próximos de Starmer, os ministros Steve Reed (Meio Ambiente) e John Healey (Defesa) entraram no gabinete em Downing Street no fim desta segunda, segundo a Sky News. Autoridades não responderam a um pedido de comentário sobre se a reunião já estava agendada.
Em seu discurso mais cedo, Starmer disse que, diante das guerras na Ucrânia e no Irã, o Reino Unido precisa de estabilidade política. Prometeu governar com “esperança” e “urgência” necessárias para melhorar os padrões de vida e construir um país “mais forte e mais justo”, e conter o avanço do partido populista Reform UK, à direita, e dos Verdes, à esquerda.
“Nossa resposta desta vez deve ser diferente, uma ruptura completa”, disse Starmer no evento com aliados do seu partido. “Eu sei que as pessoas estão frustradas com o estado da Grã-Bretanha. Frustradas com a política, e algumas pessoas estão frustradas comigo”, afirmou.
“Eu sei que tenho meus críticos e sei que preciso provar que eles estão errados. E vou provar”, disse Starmer sob aplausos. Nos bastidores do partido, porém, o clima é outro.
Conversas sobre remover Starmer ganharam força entre deputados trabalhistas após a sigla perder centenas de cadeiras em conselhos locais na Inglaterra e assentos nos parlamentos da Escócia e do País de Gales.
Embora poucos estivessem dispostos a apoiar Starmer publicamente, os aliados mais próximos do primeiro-ministro voltaram a alertar contra a remoção de um líder tão cedo em seu governo, dizendo que isso só prejudicaria ainda mais o Reino Unido.
“Mudar de líder só leva ao caos. Vimos o que aconteceu com os conservadores. Vamos aprender com os erros deles, não repeti-los”, escreveu Reed nas redes sociais, referindo-se ao Partido Conservador, atualmente na oposição, que teve cinco líderes diferentes em pouco mais de seis anos.
Angela Rayner, ex-vice-primeira-ministra vista como uma possível desafiante à liderança após criticar a equipe de Starmer no domingo, disse em uma conferência sindical que o governo “será julgado pelas ações e não apenas pelas palavras”.
Starmer afirma há muito tempo que não deixaria o cargo voluntariamente. No discurso, ele prometeu estreitar os laços com a Europa, nacionalizar uma importante empresa siderúrgica e fazer mais para ajudar os jovens a ingressarem no mercado de trabalho.
“Eu não vou desistir”, disse Starmer. “Acho que o que vimos com o último governo foi o caos de trocar constantemente de líderes.”




