Venezuela: Imigrantes hesitam em voltar ao país sob Delcy – 13/05/2026 – Mundo

Venezuela: Imigrantes hesitam em voltar ao país sob Delcy -


No dia 3 de janeiro, no meio de uma noite de verão em Buenos Aires, na Argentina, um imigrante venezuelano acordou a namorada para lhe contar que o ditador Nicolás Maduro havia sido capturado.

Outra imigrante se sentou de repente em Santiago, no Chile, quando seu celular vibrou com a notícia. Muitos outros acordaram com a foto de Maduro algemado a bordo de um navio de guerra americano. As reações foram imediatas. “Vou voltar”, disse Yanitze Gutiérrez, uma migrante venezuelana no Uruguai, ao ligar para o filho, que mora na Espanha.

Quando Andreína Di Giovanni abriu sua mercearia venezuelana em Buenos Aires, ela disse que clientes frenéticos começaram a entrar correndo. “As pessoas choravam de felicidade”, disse. “E comecei a ouvir: ‘ Vou voltar. Vou voltar. Vou voltar’”.

Mas, até agora, a enorme diáspora venezuelana espalhada por muitos países está, em grande parte, permanecendo onde está, segundo as Nações Unidas. Após o choque inicial que muitos sentiram ao saber que Maduro havia sido levado para uma prisão em Nova York, uma realidade preocupante se instalou. Os fatores que levaram muitos deles a partir —uma economia em ruínas e líderes repressivos— continuam presentes.

“Os problemas não estão resolvidos”, disse Greces Vicuña, 32, que emigrou para o Chile em 2018, depois de, segundo ela, ter sido presa por três meses por participar de protestos antigovernamentais. “Não vou voltar.”

O êxodo de venezuelanos criou uma das maiores crises humanitárias do mundo. Cerca de 8 milhões, aproximadamente um quarto da população do país, saíram do país nos últimos 11 anos, segundo a ONU, tornando-se talvez a consequência mais visível do regime de Maduro.

Embora alguns tenham ido para os EUA e outros para a Espanha, a grande maioria, quase 7 milhões, permaneceu na América Latina, indo para Colômbia, Peru e Brasil.

Os migrantes venezuelanos ocuparam milhões de empregos nos mercados de trabalho da região. Seu grande número, em alguns lugares, incluindo os EUA, provocou uma reação negativa e se tornou tema nas eleições nacionais.

Muitos venezuelanos esperavam que a intervenção dos EUA resultasse em mais do que apenas a destituição de Maduro. Eles viam isso como o início de um grande retorno ao lar, uma nova era de reunificação familiar.

Em vez disso, os EUA deixaram o partido no poder, abrindo para muitos um novo capítulo de incertezas. Na sequência, organizações que monitoram a migração não relataram nenhum movimento significativo de pessoas de volta à Venezuela.

A direção que o país tomar nos próximos meses poderá fornecer indícios mais claros sobre se aqueles que estão no exterior retornarão em números significativos. Em uma pesquisa da ONU realizada em fevereiro, 9% dos venezuelanos entrevistados na Colômbia, Equador, Peru, Brasil, Guatemala e Chile disseram que planejavam voltar para casa no ano seguinte.

Se a gigantesca migração para fora da Venezuela foi um sinal do colapso do país, as decisões sobre o retorno podem ser um indicador-chave da realidade que a intervenção dos EUA deixou para trás.

A hesitação pode indicar que, apesar do sucesso militar da operação e de algumas melhorias graduais, ainda não há a mudança que muitos venezuelanos desejavam.

Em 2022, enquanto a economia da Venezuela desmoronava sob Maduro, Maritza Durán, hoje com 59 anos, e seus dois netos, de 7 e 4 anos, deixaram sua casa. Eles atravessaram a pé uma parte dos Andes bolivianos e entraram no Chile.

“Não foi porque eu quis”, disse Durán, secretária do governo por 35 anos que morava no estado de Mérida, no oeste da Venezuela. “Não podíamos alimentá-los”, disse sobre os netos.

Em meio a sanções severas dos EUA e à má gestão da economia pelo regime, centenas de milhares de venezuelanos como Durán fugiram da grave escassez de alimentos e da hiperinflação.

Muitos caminharam até a Colômbia e depois pegaram carona até o Equador. Outros caminharam até o Brasil, depois para a Bolívia, e então cruzaram a fronteira montanhosa do Chile.

A Colômbia concedeu residência temporária a quase 2 milhões de venezuelanos. Os migrantes da Venezuela trabalham desproporcionalmente no setor informal, muitas vezes para aplicativos de entrega, lutando para sobreviver.

Os venezuelanos no Chile também enfrentam uma onda de sentimento anti-imigrante, e José Antonio Kast, o recém-eleito presidente de direita do país, disse recentemente que a destituição de Maduro facilitaria o repatriamento deles.

Muitos dos que fugiram para os EUA receberam o status de proteção temporária, concedido a cidadãos de países designados que passam por turbulências ou outras condições adversas. Mas, no ano passado, o governo Trump eliminou essa proteção para mais de 500 mil venezuelanos, tornando-os passíveis de deportação.

Outros achavam que a captura de Maduro criaria um fluxo natural de pessoas de volta à Venezuela.

“Vocês todos vão voltar”, disse Patricia Bullrich, uma influente senadora argentina, em um comício de venezuelanos em Buenos Aires no dia seguinte à operação dos EUA em Caracas. “Vamos sentir saudades de vocês.”

Em podcasts e em vídeos do YouTube e do TikTok, migrantes venezuelanos reagindo à notícia da derrubada de Maduro discutiram o retorno. Piadas se espalharam sobre venezuelanos que voltam com sotaque peruano.

“Todos os venezuelanos fora da Venezuela, todos nós estamos fazendo a mesma pergunta: ‘Você vai voltar?’”, disse Daniel Enrique, um comediante venezuelano que mora na Cidade do México, em seu podcast.

Génesis Hidalgo, uma professora venezuelana que no ano passado narrou seu retorno da Argentina para a Venezuela nas redes sociais, disse ter recebido uma enxurrada de novas mensagens de seguidores demonstrando interesse em voltar após a queda de Maduro.

A vice de Maduro, Delcy Rodríguez, agora líder do país, instou os migrantes a retornarem, e em um anúncio de televisão o regime da Venezuela prometeu a “seus filhos” que estava “esperando por eles de braços abertos”.

Samuel Díaz Pulgar, um ativista da oposição venezuelana, já está de volta. Depois que o governo venezuelano aprovou uma lei de anistia para presos políticos, Pulgar voou de Caracas vindo da Colômbia em 15 de março, dia do aniversário de sua mãe. Ele fugiu da Venezuela no ano passado, trocando de veículo quatro vezes e cruzando para a Colômbia de barco.

Ele mergulhou de volta na política. Seu partido organizou uma reunião com a presença de mais de 100 pessoas, disse Pulgar. “O fato de, de um dia para o outro, quatro pessoas aparecerem em um café para se reunir e conversar sobre política é algo que, há alguns meses, seria completamente inédito”, afirmou.

Embora o regime da Venezuela tenha libertado centenas de presos políticos, muitos outros continuam presos, e dissidentes ainda estão sendo detidos. Alexi Paparoni, um dos colegas de partido de Pulgar, foi detido recentemente, embora tenha sido solto horas depois, disse ele.

E a vida cotidiana é difícil de outras maneiras. A Venezuela ainda é assolada por apagões e escassez de água, disse Pulgar. Os preços dos alimentos estão altos e os salários extremamente baixos.

“As coisas estão diferentes, mas não mudaram totalmente para que as pessoas voltem de vez”, disse ele.

Mélanie Gallant, porta-voz para a América Latina da agência da ONU para refugiados, bem como de organizações na Colômbia, Peru e Chile, disse que não houve nenhum aumento quantificável no número de pessoas retornando à Venezuela.

Os migrantes citaram a falta de empregos, a inflação, a segurança e as dificuldades para ter acesso a alimentos e cuidados de saúde como suas principais preocupações, disseram Gallant e outros. A falta de mudança política também teve um papel importante.

Apesar da destituição de Maduro, o aparato autoritário do regime permanece no poder. “Eles tiraram um criminoso, mas ainda restam dez”, disse Iván Alcalá, um motorista de táxi venezuelano em Buenos Aires que afirmou não ter intenção de voltar.

O governo Trump afirma que está administrando a Venezuela e decidiu trabalhar com as autoridades atuais para fazer acordos com o objetivo de obter o petróleo e outros recursos naturais do país, em vez de promover a democracia.

Autoridades americanas afirmam que as eleições acabarão por ocorrer. Mas o que os venezuelanos esperavam que fosse uma transição rápida tem se tornado cada vez mais permanente desde que a Casa Branca reconheceu Delcy como líder do país. Trump a chamou de “uma presidente maravilhosa”.

Foi um golpe doloroso para muitos venezuelanos fora do país. “Quando Trump se pronuncia dizendo algo positivo sobre ela, é uma humilhação terrível”, disse Di Giovanni, a proprietária venezuelana de uma mercearia em Buenos Aires.

Di Giovanni, que mora na Argentina há 13 anos e construiu uma vida e um negócio lá, diz que não tem intenção de voltar. Muitos venezuelanos que entraram em sua loja em uma tarde recente para comprar banana-da-terra ou torresmo picante disseram o mesmo. “Quero dar uma educação melhor para minha filha”, disse Lisbeth Fran, 42. “Por isso fico.”



Fonte CNN BRASIL

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