O jornal The New York Times entrou com um novo processo nesta segunda (18) contra o Departamento de Defesa dos Estados Unidos sob o argumento de que a pasta viola a Primeira Emenda da Constituição americana ao exigir que os jornalistas sejam acompanhados de um funcionário em todos os momentos durante visitas ao Pentágono.
Esta é a segunda ação movida pelo jornal contra as limitações impostas pelo governo de Donald Trump aos repórteres responsáveis pela cobertura do complexo militar.
O novo processo afirma que a política de escolta do Pentágono é inconstitucional. De acordo com a norma anunciada em março, os jornalistas devem “ligar ou enviar um email para marcar uma visita, aguardar uma resposta, obter uma escolta [no Pentágono], fazer suas perguntas” e, em seguida, deixar o prédio. A ação pede ao juiz que obrigue o governo a suspender as restrições impostas aos profissionais de imprensa.
Procurado, o porta-voz do Pentágono não respondeu aos pedidos de comentários.
O caso representa o capítulo mais recente da disputa judicial em torno dos esforços cada vez maiores do Pentágono para restringir a atuação de repórteres responsáveis pela cobertura do complexo.
Pete Hegseth, secretário de Defesa, restringiu o acesso de jornalistas ao departamento e passou a exigir escolta oficial em corredores do prédio. Em outubro, o governo também adotou um amplo conjunto de medidas que permite ao Pentágono classificar repórteres de “riscos à segurança” e cancelar seus credenciamentos de imprensa.
Em dezembro, o jornal processou o Pentágono com o argumento de que as restrições violavam os direitos de seus jornalistas garantidos pela Primeira e pela Quinta Emenda da Constituição americana.
Em março, o juiz Paul Friedman decidiu a favor do The New York Times e rejeitou partes importantes da política adotada em outubro. Pouco depois, o Pentágono anunciou regras provisórias que passaram a exigir escolta oficial em todas as visitas ao prédio, entre outras mudanças. O departamento também desativou um espaço de trabalho destinado aos jornalistas.
Friedman rejeitou também o cerne da política provisória, mas o Pentágono recorreu a um tribunal de apelação para manter a exigência de escolta enquanto contestava as duas decisões do magistrado. Em abril, um painel de três juízes do Tribunal de Apelações do Distrito de Columbia autorizou que a medida continuasse em vigor durante a tramitação do recurso.
Na nova ação judicial, o The New York Times afirmou que a política provisória é “claramente retaliatória” e argumentou que a exigência de escolta torna os crachás de imprensa de seus jornalistas “essencialmente inúteis”. Segundo a petição, o objetivo do processo é contestar a política provisória “em seus próprios termos”.




