A convite do Brasil, Haiti se preparará no Rio para Copa – 19/06/2026 – Esporte

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A convite do governo brasileiro, a seleção sub-17 de futebol do Haiti deve se preparar para o Mundial do Qatar, entre novembro e dezembro, num centro esportivo da Marinha no Rio de Janeiro.

O convite foi feito também à seleção haitiana principal, adversária do Brasil na Copa-2026, mas foi recusado porque a federação do país já tinha acertado suas bases de treino nos Estados Unidos, um dos anfitriões da competição.

Do elenco que enfrentará o Brasil na Filadélfia nesta sexta (19), apenas um dos 26 convocados do Haiti (o volante Woodensky Pierre) joga no futebol local –cujo campeonato está ativo, aos trancos e barrancos, dada a situação caótica do país.

Aterrorizado pela violência das gangues, o Haiti vive grave crise institucional, agravada desde o assassinato do presidente Jovenel Moise, em julho de 2021.

Todo o restante da seleção haitiana atua entre Europa (sobretudo França), Américas (principalmente EUA) e até no Irã. E a maioria (16) nem sequer nasceu no país.

Bem próximo ao sul dos EUA, o país caribenho se preparou para a Copa primeiro na Flórida, e em seguida na Universidade Stockton, em Nova Jersey, sua base oficial durante o torneio.

Segundo apurou a reportagem, o convite para treinar no Rio foi feito via Embaixada do Brasil em Porto Príncipe e tem o apoio do Instituto Guimarães Rosa, do Itamaraty, com ajuda da ONG Viva Rio –que atua em projetos sociais no Haiti.

Um dos 48 classificados para o Mundial sub-17, o Haiti vai se preparar para o torneio no Qatar entre setembro e outubro próximos no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan), da Marinha do Brasil, no bairro da Penha, no Rio.

A Copa sub-17 ocorrerá de 19 de novembro a 13 de dezembro. Os haitianos estão no Grupo D, junto com França, Arábia Saudita e Uruguai.

Há 98 anos Brasil e Haiti mantêm relações diplomáticas, que foram reforçadas pela Minustah –a missão de paz da ONU no Haiti liderada militarmente pelos brasileiros por 13 anos, de 2004 a 2017– e pela onda migratória de haitianos para o Brasil depois do terremoto de 2010. Estima-se que 150 mil haitianos vivem hoje no país.

Para Ricardo Seitenfus, ex-representante especial da OEA no Haiti (2009-2011) e autor de livros sobre o país caribenho, o convite reforça os laços entre as duas nações.

“Há muito o Haiti virou um país irmão. Podemos fazer um paralelo entre esse convite com o que o Brasil fez ao acolher milhares de haitianos sem muitas delongas nem burocracias depois do terremoto de 2010. Dos países em que já morei, o Haiti é de longe o que me acolheu melhor”, diz Seitenfus, professor aposentado da Universidade Federal de Santa Maria (RS) e doutor em relações internacionais pela Universidade de Genebra.

Os haitianos são apaixonados pelo futebol brasileiro e costumam torcer para a seleção em Copas do Mundo.

Esta é a segunda participação do Haiti em Mundiais. A primeira foi em 1974, na Alemanha, quando caiu na primeira fase, com três derrotas em três jogos.



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