O presidente dos EUA, Donald Trump, queria que o espelho d’água do Memorial Lincoln, em Washington, ficasse impecável. A fotossíntese tinha outros planos.
Dias depois de o governo Trump ter concluído um projeto de US$ 14,2 milhões (R$ 72,1 milhões) para revestir o piso de concreto do espelho d’água com um material impermeabilizante azul-escuro, aglomerados de algas pontilhavam a superfície no domingo (14) e na segunda-feira (15), conferindo a partes do espelho d’água uma tonalidade esverdeada.
O espelho d’água estava reluzente na semana passada, após a obra, que tinha como objetivo resolver dois problemas de longa data —vazamentos e proliferação de algas— antes do 250º aniversário do país. Mas, após vários dias quentes e úmidos, as algas voltaram com força total.
Uma porta-voz do Departamento do Interior, que administra o local, disse que o projeto envolveu a instalação bem-sucedida de um sistema de tratamento de água chamado “nanobubbler”. Ela afirmou que as algas desapareceriam em breve.
“Graças à implantação da avançada tecnologia de ‘nanobubbler’, as algas estão mortas e sendo aspiradas neste exato momento”, disse a porta-voz, Katie Martin, por email. “Agradecemos ao presidente Trump por consertar o espelho d’água de vez.”
Na semana passada, Martin havia dito que as algas eram “residuais” e provinham de tubulações de abastecimento que ficaram inativas durante as reformas.
Trump afirmou no mês passado que o espelho d’água estava “imundo” há anos. Ele disse que suas mudanças tornariam o local “lindo”, acrescentando que o material impermeabilizante do piso era de uma cor chamada “azul da bandeira americana”.
Para reparar a piscina, o governo de Trump concedeu contratos sem licitação a dois fornecedores escolhidos a dedo, contornando o processo legalmente exigido de abertura de licitação competitiva devido ao que as autoridades declararam ser uma necessidade urgente. O governo afirmou que a urgência se justificava devido à comemoração do 250º aniversário da nação.
O primeiro contrato sem licitação foi concedido a uma empresa sediada na Virgínia, a Atlantic Industrial Coatings, para vedar juntas com vazamentos entre as lajes de concreto da piscina e revestir as lajes com o material impermeabilizante azul escuro. O segundo foi concedido à Greenwater Services, sediada em Ohio, para instalar um sistema de purificação de água modernizado.
A Atlantic Industrial Coatings concluiu seu trabalho em 4 de junho, e a piscina foi reabastecida logo em seguida. A Greenwater Services também concluiu a instalação do novo sistema de purificação.
No domingo, funcionários do Serviço Nacional de Parques entraram na piscina refletora e pareciam estar removendo algumas manchas de algas da superfície. Eles foram acompanhados por funcionários da Pearl Purity Water Solutions, empresa sediada em Maryland que mantém um contrato desde 2021 para tratar a água da piscina.
Representantes da Greenwater Services e da Pearl Purity Water Solutions não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Nesta segunda (15), enquanto os funcionários do serviço de parques continuavam a remover as algas, multidões de turistas passeavam ao redor da piscina sob o sol de verão. Bonnie Garvin, professora de Monticello, na Geórgia, disse que não se incomodava com a tonalidade esverdeada.
“Não estamos nadando nela, então não é realmente um problema”, disse Garvin.
Mas Jessica Lea, terapeuta de Portland, no Oregon, disse que ficou desapontada com sua primeira visita ao marco histórico centenário. “Está bem pantanoso”, disse. “Poderia estar mais limpo. E não consigo ver nenhum reflexo.”




