Após guerra, iranianas dirigem moto sem véu no Irã – 22/05/2026 – Mundo

Após guerra, iranianas dirigem moto sem véu no Irã -


Uma jovem sem hijab (véu islâmico) dirige uma moto em uma rua movimentada, passa por um policial e acena.

Essa sequência de fatos, inimaginável alguns meses atrás, tornou-se comum em Teerã desde o início da guerra contra Israel e Estados Unidos e foi testemunhada inúmeras vezes pela reportagem da Folha.

Dirigir motocicletas é o ato de rebeldia das jovens iranianas. Até fevereiro, mulheres não conseguiam tirar carteira de motorista para dirigir motos no país, apesar de não serem formalmente proibidas. Autoridades consideravam que mulheres dirigindo motos ficavam muito expostas e que isso seria anti-islâmico.

Ainda assim, muitas se arriscavam. A estudante de finanças Mahtab, 20, comprou sua moto em dezembro e dirigia sem carta. “Eu amo minha moto, e as pessoas apoiam, fazem joinha quando me veem”, disse à Folha.

Em fevereiro, o governo baixou uma medida oficialmente autorizando a concessão da carteira de moto para mulheres.

“O sonho das minhas netas é ganhar uma moto”, afirmou Fatima, apontando para as netas adolescentes com quem fazia um piquenique.

Na tarde de 15 de maio, no parque Pardisan, no oeste da cidade, a maioria das mulheres não usava o hijab, embora ainda seja obrigatório por lei, e milhares de mulheres já tenham sido multadas e presas por descumprirem a regra. Muitas não tinham nem o véu em cima dos ombros, que é como algumas mulheres ainda o usam, caso sejam obrigadas por autoridades a colocá-lo.

Desde os protestos que se seguiram à morte da iraniana Mahsa Amin, em 2022, vem crescendo a resistência das mulheres ao uso do véu —e se acelerou após o início da guerra. Mahsa, 22, foi presa por não usar o véu “da forma adequada”.

Ela entrou em coma na cela e acabou morrendo em um hospital, gerando uma onda de revolta. O governo nega que ela tenha morrido em decorrência de agressões da polícia.

Até o ano passado, o governo mandava mensagens de texto para os celulares das mulheres que eram denunciadas por motoristas de táxi ou flagradas em câmeras de trânsito sem o hijab. O Escritório de Promoção da Virtude e Prevenção do Vício do Irã dizia nas advertências: “Tire seu hijab em público, e você pode enfrentar consequências legais”.

As mulheres eram convocadas a comparecer a uma delegacia e assinar um documento se comprometendo a não mais deixar de usar o véu.

A obrigatoriedade do uso do véu foi instituída pelo aiatolá Ruhollah Khomeini após a Revolução Islâmica de 1979, que implementou uma versão ultraconservadora da lei islâmica.

“Ninguém mais está usando hijab, é a influência dos EUA e de Israel, que estão espalhando propaganda há muitos anos”, disse a dona de casa Maryam, que é religiosa e ainda usa o chador, uma vestimenta larga que cobre a cabeça e o corpo, deixando apenas o rosto de fora. “Usam redes sociais para convencer as pessoas de que o hijab é contra sua liberdade.”

Ela e o marido afirmaram que o governo está ocupado demais com a guerra para vigiar se as mulheres estão sem véu. E ela disse achar que muitas sem hijab em Teerã são a favor do governo.

“Antes, estar sem hijab era um sinal de oposição ao governo e à religião; agora, não necessariamente. É normal para mulheres mais jovens, elas acham que ficam mais bonitas.”

Não é o caso da estudante de economia Zeinab, 19.

“Joguei no lixo todos meus hijabs depois que meus amigos foram mortos nos protestos em janeiro”, disse ela à Folha. “Não tenho mais nada a perder.”

Ela participou dos protestos contra o governo em janeiro, quando forças de segurança mataram milhares de pessoas. “Eles sequestraram a nossa juventude. Muitos dos meus amigos da faculdade ainda estão presos”, contou.

Também no parque Pardisan, outro ato de rebeldia: pessoas passeando com seus cachorros. Cães são vistos pelas autoridades iranianas como anti-islâmicos e resultado de influência do Ocidente. Os animais de estimação não são proibidos, mas é ilegal passear com seu cachorro nas ruas de Teerã, por motivos culturais e de higiene.

No Pardisan, no entanto, a lei é costumeiramente ignorada.

Muitos presumem que, após a guerra, o governo iraniano vai voltar a aplicar as leis de hijab com severidade. Em bancos, universidades e prédios administrativos, o uso continua sendo exigido.

Uma fonte próxima ao governo afirma que a regra, por estar nas leis islâmicas, não será rediscutida.

E as mulheres vão se conformar?

“Não temos muita opção, vamos ter que voltar a usar o véu caso nos obriguem. Vimos o que acontece com quem não obedece”, disse Mahtab.



Fonte CNN BRASIL

Leia Mais

Brasil propõe pacto regional contra feminicídio no Mercosul

Brasil propõe pacto regional contra feminicídio no Mercosul

maio 23, 2026

17794954606a10f22420cb4_1779495460_3x2_rt.jpg

Encontros de Xi com Trump e Putin fazem da China ponto obrigatório de passagem da diplomacia – 22/05/2026 – Igor Patrick

maio 23, 2026

naom_63356f8ce5011.webp.webp

Galvão Bueno passa por cirurgia, mas SBT diz que narrador irá para Copa

maio 23, 2026

Após guerra, iranianas dirigem moto sem véu no Irã -

Após guerra, iranianas dirigem moto sem véu no Irã – 22/05/2026 – Mundo

maio 23, 2026

Veja também

Brasil propõe pacto regional contra feminicídio no Mercosul

Brasil propõe pacto regional contra feminicídio no Mercosul

maio 23, 2026

17794954606a10f22420cb4_1779495460_3x2_rt.jpg

Encontros de Xi com Trump e Putin fazem da China ponto obrigatório de passagem da diplomacia – 22/05/2026 – Igor Patrick

maio 23, 2026

naom_63356f8ce5011.webp.webp

Galvão Bueno passa por cirurgia, mas SBT diz que narrador irá para Copa

maio 23, 2026

Após guerra, iranianas dirigem moto sem véu no Irã -

Após guerra, iranianas dirigem moto sem véu no Irã – 22/05/2026 – Mundo

maio 23, 2026