Bilionários da IA devem investir seu dinheiro na arte – 26/05/2026 – Ross Douthat

Bilionários da IA devem investir seu dinheiro na arte -


Em breve, as grandes empresas de inteligência artificial vão pegar suas avaliações estratosféricas e abrir capital. Quando isso acontecer, um grande número de pessoas muito inteligentes e muito excêntricas terá de repente uma enorme riqueza líquida —e muitas delas se comprometeram a doar grandes somas.

O futuro da filantropia americana não é o drama central da era da IA, mas também não é um espetáculo secundário. Como Nan Ransohoff escreveu este mês no Substack, a riqueza gerada pela IA pode em breve adicionar até US$ 100 bilhões às doações de caridade americanas todos os anos.

Ela descreve isso como uma potencial “terceira onda” da filantropia, depois da já distante era de Carnegie e Rockefeller e da recente onda de Bill Gates e Warren Buffett. E ela espera que essa onda seja focada na “transição da IA” e no que vem depois, especialmente questões de “plenitude, sentido e o que faz uma vida ser boa” à sombra de máquinas cada vez mais capazes.

Vamos supor que ela esteja certa sobre a corrida filantrópica e sobre a busca por sentido como impulso organizador. Quero fazer um apelo pessoal aos filantropos da IA: aprendam uma lição com seus predecessores da Era Dourada e tratem a beleza como uma busca central da caridade. Construam monumentos, estátuas, museus, universidades, catedrais, jardins públicos —e sim, até mansões para vocês mesmos.

Deixem um legado físico para as gerações futuras, não apenas um registro de programas e desembolsos. Reconheçam que o sentido reside na arquitetura, na arte e na paisagem tanto quanto em bens mais mensuráveis.

Essa foi uma grande falha da era filantrópica mais recente. No seu melhor, a infraestrutura estabelecida por figuras como Gates proporcionou esforços eficazes para reduzir a pobreza e combater doenças; no seu pior, jogou dinheiro em causas políticas da moda e modismos educacionais.

Mas não houve um legado real quando se tratou de infraestrutura física —nenhuma grande campanha de embelezamento, nenhum marco arquitetônico amado, nenhum equivalente às expansões de museus, bibliotecas e salas de concerto da Era Dourada, e poucas expressões pessoais de extravagância (como as mansões de Newport ou o castelo Hearst) para turistas futuros admirarem.

No início do século 20, dólares filantrópicos já haviam ajudado a construir o Metropolitan Museum of Art e o Carnegie Hall, os campi de Vanderbilt, Stanford e da Universidade de Chicago, uma rede de parques urbanos, várias igrejas impressionantes e uma série de residências particulares que se tornariam espaços públicos em poucas gerações. Os gostos variam, mas não creio que os monumentos erguidos pelos super-ricos de hoje sejam de alguma forma comparáveis.

Em parte, isso reflete os desafios de construir em uma América mais regulamentada e engessada; em parte, reflete as falhas da arquitetura contemporânea. (Onde dinheiro novo constrói novos edifícios, eles frequentemente parecem o Destruidor Estelar do Obama em Chicago.)

Mas também é um problema específico da cultura do Vale do Silício, onde a ideia de que a pessoa rica deveria estar ocupada demais para se preocupar com gosto foi incorporada a toda a empreitada tecnológica, como uma camiseta cinza, desde o início.

Como Will Manidis escreve em um ensaio recente sobre o culto ao workaholic do mundo tech, os ricos do Vale do Silício parecem ter um “terror de serem vistos como tendo dinheiro e aproveitando-o”, um terror de seu excesso de riqueza “ser visível e não disfarçado”. Isso leva a um filistinismo performático: moro em uma caixa, uso a mesma roupa e como gororoba bioengenheirada para que minha empresa possa esmagar todos os seus concorrentes. Não tenho tempo para ser esnobe ou exibir nada que eu tenha feito.

Mas os ricos provam seu valor para a sociedade não apenas no sucesso nos negócios, mas quando criam coisas que só o excedente pode gerar e só um gosto cultivado pode moldar. E essas criações, por sua vez, podem fazer os mundos das pessoas comuns parecerem mais elevados, transcendentes e significativos —seja frequentando uma escola, assistindo a um concerto, passeando em um parque ou mesmo visitando a casa de um magnata muito depois de o proprietário original ter virado pó.

A estética não é de forma alguma o único lugar onde reside o sentido. Mas se o dinheiro da IA vai trabalhar nesse terreno, não pode negligenciar a beleza da forma como a filantropia recente tem feito.

Conheço pelo menos um fundador de tech, Patrick Collison, do Stripe, que está investindo dinheiro na busca por novas escolas estéticas. Meu conselho para outros que queiram seguir seu exemplo é pegar um Waymo da sua sede de tecnologia ou laboratório de IA de ponta até o Palace of Fine Arts em San Francisco, parte da Exposição Internacional Panamá-Pacífico de 1915, que foi financiada parcialmente com dinheiro público, mas também pelos magnatas da Era Dourada.

Como outras exposições semelhantes, a maioria dos edifícios foi desmontada, mas o Palace era amado e perdurou, com uma reconstrução posterior permitindo sua permanência.

Sente-se lá por um tempo, em um espaço que é relativamente “inútil” e, no entanto, essencial para sua cidade. Descubra o que as pessoas que financiaram sua construção entendiam sobre a beleza e a vida boa. Agora vá e construa da mesma forma.


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Fonte CNN BRASIL

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