O Itamaraty confirmou, nesta terça-feira (21), que uma adolescente de 13 anos foi baleada na perna, durante o ataque no sítio arqueológico de Teotihuacán, a 50 km da Cidade do México, um dos destinos turísticos mais visitados do país, ocorrido nesta segunda-feira (20).
Segundo a pasta, a vítima foi já liberada pelo hospital e está bem, junto de sua família. Também afirmou que o consulado foi acionado e está prestando o apoio devido a ela. A identidade da adolescente não foi revelada.
Segundo o Gabinete de Segurança do México, o atirador se matou depois de abrir fogo contra os visitantes do local. Identificado como Julio César Jasso Ramírez, 27, ele deixou uma canadense morta e 13 turistas estrangeiros feridos.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram momentos de tensão durante o ataque. Nas imagens, é possível ouvir disparos enquanto turistas buscam abrigo próximo à Pirâmide da Lua, um dos pontos mais visitados do complexo arqueológico.
Vestido com uma camisa xadrez e calças táticas pretas, ele sacou uma pistola de fabricação americana, abriu fogo contra a pirâmide da Lua e fez várias pessoas reféns.
Entre elas, estavam um casal carioca, Henrique Reis e Marina Beta, que passavam o último dia de férias no local.
Segundo O Globo, ao longo dos minutos que passaram ali, os dois chegaram a ser ameaçados diretamente pelo atirador.
Ele teria exigido que Beta cortasse uma cerca de plástico que impede a passagem para a parte superior da pirâmide e arremessou a faca no chão na direção dela. A refém teria seguido as orientações do atirador e tido permissão para descer as escadas e deixar o local.
Quem era o atirador
As autoridades reconstruíram os passos dados por Ramírez. Ele teria gasto mais de US$ 2 mil em equipamentos, transporte e hospedagem.
“As evidências coletadas traçam um perfil psicopático do agressor, caracterizado por uma tendência a copiar situações que aconteceram em outros lugares, em outros momentos e por outras pessoas”, disse o procurador-geral do Estado do México, José Luis Cervantes, em entrevista coletiva nesta terça-feira.
Cervantes explicou que, antes de lançar o ataque, Ramírez visitou Teotihuacan “em diversas ocasiões” e se hospedou em hotéis próximos.
Ele chegou à Cidade do México, de onde usou um aplicativo de transporte para ir até o sítio arqueológico e se hospedar em um hotel.
Depoimentos de turistas mantidos em cativeiro pelo agressor revelaram um elemento que pode tê-lo influenciado, que alude aos sacrifícios que, segundo historiadores, eram realizados por alguns povos pré-hispânicos.
“Uma das coisas que ele nos dizia era que aquele era um lugar para sacrifícios, não para tirar fotos, e que era o aniversário do massacre de Columbine”, disse a turista americana Jacqueline Gutiérrez à emissora Milenio.
A jovem visitava as pirâmides com os pais e o namorado quando se desenrolaram “14 minutos de terror”, deixando-os sem saída.
“Não podíamos nos mexer, senão cairíamos da pirâmide. Se ele quisesse nos matar, teria matado”, acrescentou, observando que o mesmo homem lhes disse que vinha planejando o ataque há três anos.
Ela afirmou ter testemunhado o momento em que Ramírez atirou diretamente na turista canadense que morreu, e gritou: “Europeus, esta será a última vez que vocês vêm aqui”.
Cervantes afirmou o ataque foi isolado, sem colaboradores externos no planejamento e execução. Entre seus pertences, também foram encontrados “literatura aludindo à agressão e figuras associadas a esse tipo de ação violenta”.
O agressor era originário do estado de Oaxaca, no sul do país, e seu título de eleitor indicava um endereço em um bairro operário da Cidade do México.




