Centenas de funcionários da ONU pedem que chefe de direitos humanos declare genocídio em Gaza – 28/08/2025 – Mundo

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Centenas de funcionários das Nações Unidas enviaram carta ao alto-comissário para os direitos humanos da organização, Volker Turk, pedindo que ele descreva explicitamente a guerra na Faixa de Gaza como um genocídio.

A carta, vista pela agência Reuters e enviada nesta quarta-feira (28), afirma que os funcionários consideram que os critérios legais para genocídio na guerra entre Israel e Hamas em Gaza, que dura quase dois anos, já estão presentes, citando a escala, o alcance e a natureza das violações documentadas no território palestino.

“O ACNUDH tem uma forte responsabilidade legal e moral de denunciar atos de genocídio”, diz a carta assinada pelo comitê de funcionários em nome de mais de 500 empregados, que pediu a Turk que assumisse uma “posição clara e pública”.

“Não denunciar um genocídio em curso mina a credibilidade da ONU e do próprio sistema de direitos humanos”, afirma a missiva.

A carta cita o que chama de fracasso moral da organização internacional por não fazer mais para impedir o genocídio de Ruanda em 1994, que matou mais de 1 milhão de pessoas.

Turk tem o apoio total e incondicional do secretário-geral da ONU, António Guterres, segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric. Ele afirmou também que a “classificação de um evento como genocídio cabe a uma autoridade legal competente.”

O Ministério das Relações Exteriores de Israel disse que não responde a cartas internas de funcionários da ONU “mesmo que sejam falsas, infundadas e cegas de ódio obsessivo contra Israel.”

Israel já rejeitou anteriormente acusações de genocídio em Gaza, citando seu direito à autodefesa após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas e resultou em 251 reféns levados a Gaza —hoje, 50 permanecem no território palestino, 20 dos quais supõe-se que estão ainda vivos.

A subsequente guerra em Gaza matou quase 63 mil pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, enquanto um monitor global de fome da ONU afirma que parte do território está sofrendo de fome e desnutrição grave.

O escritório para direitos humanos da ONU, sediado em Genebra, foi criado em 1993 e encarregado de promover e proteger os direitos humanos no mundo.

O apelo a Turk, um advogado austríaco que trabalha para as Nações Unidas há décadas, foi apoiado por cerca de um quarto de seus 2.000 funcionários globais.

Alguns grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional, já acusaram Israel de cometer genocídio, e Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, também usa o termo. As Nações Unidas, como organização, no entanto, não o faz.

Funcionários da ONU já afirmaram no passado que cabe aos tribunais internacionais determinar quando há ou não um genocídio em curso. Em 2023, a África do Sul apresentou um caso de genocídio contra as ações de Israel em Gaza à Corte Internacional de Justiça, mas o caso ainda não foi julgado em seu mérito —um processo que pode levar anos.

“A situação em Gaza abalou todos nós até o âmago”, disse a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani, citando as circunstâncias enfrentadas pelo escritório enquanto tenta documentar fatos e soar o alarme. “Houve e continuará havendo discussões internas sobre como avançar”, disse ela em referência à carta.

Turk, que repetidamente condenou as ações de Israel em Gaza e alertou sobre o risco crescente de crimes e atrocidades, disse que a carta levantou preocupações importantes.

“Sei que todos compartilhamos um sentimento de indignação moral diante dos horrores que estamos testemunhando, bem como frustração diante da incapacidade da comunidade internacional de pôr fim a esta situação”, disse ele em uma cópia de sua resposta vista pela Reuters, pedindo aos funcionários que “permaneçam unidos como um escritório diante de tal adversidade.”



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