
O líder do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos, Unops, confirmou nesta sexta-feira que está a caminho do Oriente Médio.
Numa rede social, Jorge Moreira da Silva revelou que partia para a região cumprindo o mandato do secretário-geral da ONU com vista a executar um mecanismo urgente para facilitar o trânsito de fertilizantes e matérias-primas essenciais.
De acordo com as Nações Unidas, a instabilidade crescente no Oriente Médio provoca uma onda de choque que vai além das fronteiras regionais, colocando em risco a subsistência de milhões de pessoas em África e na Ásia.
Na quinta, o secretário-geral da ONU, António Guterres, informou a jornalistas que a iniciativa visa travar uma crise de segurança alimentar de enormes proporções, quando ocorrem consultas para criar corredores humanitários para responder aos cenários mais pessimistas de piora do conflito.
Guterres elencou três cenários. No primeiro, com o fim imediato das restrições, as cadeias de suprimentos levariam meses para se recuperar. A produção econômica demoraria e haveria uma alta dos preços pressionando ainda mais o mundo que recupera da pandemia e da guerra na Ucrânia.
Num segundo cenário de interrupções, até meados do ano, cerca de 32 milhões de pessoas seriam empurradas para a pobreza. Haveria falta de fertilizantes, baixaria a produtividade das colheitas e 45 milhões de pessoas enfrentariam a fome extrema.
Já no quadro mais grave, com as interrupções persistindo até o final do ano, a inflação aceleraria até ultrapassar 6% e o crescimento despencaria para 2%.
Em nota separada, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, disse que a atual situação já forçou a reformular inteiramente a estratégia de entrega de ajuda. Com o impacto logístico severo, a insegurança em rotas marítimas vitais, como no Estreito de Ormuz, provocou uma disrupção sem precedentes no tráfego comercial.
Os preços bens essenciais estão subindo com o aumento vertiginoso dos custos de combustível e o fretamento atrasa a chegada de socorro urgente às populações deslocadas que já vivem no limite da sobrevivência.
Para as agências humanitárias, que enfrentam restrições orçamentais severas, este panorama de altos custos reduz drasticamente a capacidade de resposta no terreno.
Como alternativa para contornar o bloqueio de rotas marítimas tradicionais, o Acnur segue vias terrestres complexas, incluindo o transporte rodoviário através da Península Arábica e da Turquia a partir do Dubai.
No entanto, a agência contou que estas soluções não são isentas de custos que desde o início dos combates elevaram as taxas de frete em quase 18%, enquanto a capacidade operacional dos transportadores globais caiu no arranque de 2026, de 97% para apenas 77%.
Para certos casos críticos, como no envio de mantimentos das reservas globais no Dubai para as operações no Sudão e no Chade, os custos de transporte mais do que duplicaram, saltando de US$ 927 mil para US$ 1,87 milhão.
A pressão sobre o sistema de auxílio piora com o congestionamento em portos estratégicos como Jidá e Mersin, a suspensão de rotas por várias transportadoras e o aumento das taxas de seguro de risco de guerra, que agora variam entre 0,5% e 1,5% do valor da carga.
Para a agência especializada em refugiados, esta saturação nas vias terrestres está também a provocar uma escassez de camiões e a inflacionar o transporte interno.
O panorama é alarmante em particular para a África, onde as crises de deslocamento sobrepostas e frequentemente negligenciadas “enfrentam agora o risco real de um colapso no abastecimento de ajuda humanitária”.
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