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O Conselho de Estado da China eliminou na sexta (22) restrições do hukou (registro domiciliar) que impediam chineses migrantes de regiões que não as suas de origem pudessem acessar a previdência social onde trabalham.
Pela nova regra, trabalhadores podem se inscrever nos programas de seguro social nas cidades onde estão empregados. O local de registro domiciliar deixa de ser o critério válido de acesso.
Dados amostrais do censo divulgados no mesmo dia indicam que a população migrante da China supera 357 milhões. A medida integra a agenda de Pequim para criar um mercado nacional unificado, removendo barreiras à circulação de mão de obra e capital.
O Hukou é o registro domiciliar (户口) criado em 1958 que classifica cada cidadão chinês como urbano ou rural, vinculado a um local de origem. Na prática, ele serve para determinar o acesso à saúde, educação e aposentadoria.
Um operário com hukou rural em Hunan que trabalha em Shenzhen, por exemplo, não tem direito a escola pública local para os filhos, não acessa o sistema de saúde pública nem a aposentadoria da cidade. Mora e trabalha ali, mas seus direitos ficam na província de origem, a centenas de quilômetros.
O sistema criou uma cidadania de dois níveis que persiste há quase sete décadas e é até hoje uma das maiores causas estruturais de desigualdade na China.
A reforma vai além dos trabalhadores migrantes tradicionais. Motoristas de aplicativo, entregadores e livestreamers vinham operando em cidades diferentes do registro domiciliar, barrados portanto dos serviços públicos que ajudavam a sustentar por meio dos próprios impostos. Esse contingente pressionou Pequim a garantir acesso igual à proteção social.
O princípio que orienta a mudança é o 人户分离 (renhu fenli), a separação entre local de residência e registro domiciliar. Pela lógica anterior, direitos seguiam o registro e agora devem seguir a pessoa.
pare para ver
“Nós sempre estudaremos os Três Artigos Permanentes”, poster produzido em 1967 mostra trabalhadores rurais chineses, em referência aos ensaios políticos escritos por Mao Tsé-tung em 1949. Saiba mais sobre aqui
o que também importa
★ O chanceler Wang Yi pediu que as partes no conflito no Irã mantenham o compromisso com o cessar-fogo e façam concessões mútuas. Ele falou na ONU, em Nova York, após presidir uma reunião do Conselho de Segurança com 15 membros. O Irã acusou os EUA de violar a trégua após Washington realizar o que chamou de ataques defensivos no sul do país. O secretário de Estado americano Marco Rubio disse que um acordo para encerrar o conflito pode levar “alguns dias”. Wang citou um chinês e disse que “não é com um único dia frio que o gelo acumula três pés de espessura”, sinalizando que Pequim não espera resolução rápida mas quer manter a negociação viva.
★ Uma explosão de gás em uma mina de carvão na província de Shanxi, no centro da China, matou mais de 80 pessoas na sexta-feira. Foi o pior acidente em mineração no país em mais de uma década. A explosão aconteceu por volta das 19h30 na mina de carvão Liushenyu, no condado de Qinyuan, cerca de 520 km a sudoeste de Pequim, após um alerta de monóxido de carbono. Pelo menos 247 trabalhadores trabalhavam no subsolo no momento do acidente. Até agora, mais de 80 pessoas tiveram a morte confirmada por autoridades locais, 128 sobreviventes estavam sendo tratados em hospitais, dos quais dois em estado crítico, enquanto 35 tiveram alta e dois permaneciam desaparecidos.
fique de olho
A Huawei apresentou na segunda-feira (25) uma nova técnica de fabricação de chips que deve fazer a companhia alcançar até 2031 desempenho equivalente ao que TSMC, Samsung e Intel planejam para 2028-2029.
As três líderes globais do setor dependem de máquinas de litografia ultra-avançadas fabricadas pela holandesa ASML, às quais a Huawei não tem acesso por causa das sanções americanas.
A presidente da divisão de semicondutores da gigante chinesa, He Tingbo, apresentou o novo método na conferência IEEE em Xangai.
A chamada Lei Tau reorganiza a arquitetura interna dos chips para que os sinais elétricos percorram distâncias menores e encontrem menos resistência. Com isso, obtém ganhos de desempenho equivalentes à miniaturização sem depender das máquinas bloqueadas pelas sanções.
He Tingbo afirmou que a empresa usou a técnica para projetar e produzir em massa 381 chips nos últimos seis anos. Os novos processadores Kirin, previstos para o segundo semestre, serão os primeiros a adotar a arquitetura.
A empresa prepara o lançamento dos chips de inteligência artificial Ascend 950 em 2026, Ascend 960 em 2027 e Ascend 970 em 2028. É uma resposta à linha da Nvidia, que segue sem autorização de Pequim para vender seus modelos mais recentes na China.
Por que importa: a lógica das sanções americanas sobre semicondutores parte da premissa de que, sem acesso às máquinas de litografia mais avançadas, a China não conseguiria fabricar chips de ponta.
A Huawei agora parece ter desenvolvido um método que dispensa essas máquinas e já testou em centenas de chips. Se funcionar na escala prometida, o principal instrumento de contenção tecnológica de Washington contra Pequim perderá totalmente sua eficácia.
Ainda é uma promessa com prazo de cinco anos, mas, em 2023, a Huawei já surpreendeu o mercado ao lançar o chip Kirin 9000S, que analistas consideravam impossível sem equipamento ocidental.
para ir a fundo
- O Sebrae-DF realiza em 2 de junho um workshop presencial sobre importação da China, com foco em pequenos negócios. O evento acontece às 19h no auditório da CDL em Brasília. Vagas limitadas. Inscrições aqui.
- O LabChina da UFRJ está selecionando um pós-doutorando para pesquisa sobre investimentos chineses na indústria manufatureira no Brasil. O valor da bolsa é de R$ 5.200 mensais por até dois anos. É necessário doutorado em economia, economia política internacional ou relações internacionais. Candidaturas até 30 de maio pelo e-mail isabela.nogueira@ie.ufrj.br




