O chefe do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, Joseph Wu, afirmou neste sábado (23) que a China mobilizou mais de cem navios de guerra e da Guarda Costeira nas águas da região do mar Amarelo, do mar da China Meridional e do Pacífico.
Segundo Wu, a mobilização foi intensificada após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim. Wu acusou a China de ameaçar a paz e a estabilidade na região. Um alto funcionário de segurança taiwanês disse à agência AFP que embarcações chinesas foram detectadas antes da cúpula, mas que o número cresceu nos últimos dias.
A China considera Taiwan, ilha com governo e Exército próprios, como parte de seu território. Washington não mantém relações diplomáticas com Taipé e tem um posicionamento de não apoiar mudanças unilaterais nas condições atuais da ilha, mas é seu principal fornecedor de armas. Pequim não comentou a declaração de Wu.
O dirigente da China, Xi Jinping, cujo regime tem trabalhado pela interrupção do fornecimento de arsenal à ilha, disse a Trump em Pequim, durante a reunião bilateral com o americano, que a questão pode provocar conflitos.
Após concluir a visita, Trump afirmou que ainda não decidiu se aprovará ou não um novo pacote de vendas de armamentos a Taiwan. Há, no entanto, a Lei de Relações com Taiwan, aprovada pelo Congresso americano em 1979, que estabelece que os EUA devem disponibilizar meios para que a ilha mantenha a capacidade de autodefesa.
Em março, a porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do governo chinês afirmou que Pequim jamais renunciará ao uso da força para reunificar a China continental e a ilha. Segundo Zhu Fenglian, o principal objetivo é atingir essa meta de forma pacífica, mas que é reservado “o direito de tomar todas as medidas necessárias” caso isso não seja possível.
Após a visita a Xi, o americano disse que os líderes discutiram longamente a questão de Taiwan e que não fez promessas ao chinês. Questionado se os EUA defenderiam a ilha em caso de ataque chinês, não respondeu.
“Há apenas uma pessoa que sabe disso, e essa pessoa sou eu. Eu sou o único”, afirmou aos repórteres. “Essa pergunta foi feita a mim pelo presidente Xi. Eu disse que não falo sobre isso.” Trump afirmou ainda, na ocasião, que tomaria uma decisão sobre as novas vendas de armamentos.




