A dissidência da extinta guerrilha das Farc comandada pelo guerrilheiro mais procurado da Colômbia anunciou, nesta sexta-feira (15), uma trégua para as eleições presidenciais de 31 de maio, marcadas por altos índices de violência.
Os rebeldes do Estado-Maior Central (EMC), comandados por Iván Mordisco, que rejeitaram o acordo de paz de 2016, estão entre os principais atores da deterioração da segurança no país, imerso em sua pior crise de violência em uma década às vésperas das eleições para suceder o presidente Gustavo Petro, que é ex-guerrilheiro.
O chamado EMC anunciou, em um comunicado, a “suspensão de operações militares ofensivas” de 20 de maio a 10 de junho. A trégua visa dar as “condições de tranquilidade suficientes para que o povo colombiano vá maciçamente às urnas”.
Petro tentou sem sucesso negociar com Mordisco como parte de sua política de “paz total”, com a qual buscou o desarmamento de todos os grupos armados do país, sem obter sucesso.
Em abril, homens de Mordisco assassinaram 21 pessoas em um atentado com explosivos em uma rodovia do sudoeste do país, o pior ataque contra civis em duas décadas.
Depois do desarmamento das Farc, que se tornou um partido político, Petro só mantém negociações atualmente com o poderoso cartel do narcotráfico Clã do Golfo e algumas guerrilhas menores.
Os principais candidatos do pleito são o senador de esquerda Iván Cepeda, que propõe dar continuidade a estes esforços de negociações, e outros que prometem a linha-dura contra o crime, como o advogado milionário Abelardo de la Espriella, de ultradireita, e a senadora opositora Paloma Valencia.
A violência também tem afetado diretamente os candidatos e a disputa eleitoral. Em agosto passado, morreu vítima de um atentado a tiros em Bogotá o senador Miguel Uribe, que pretendia ser o candidato presidencial do principal partido da oposição.
De la Espriella, por sua vez, denunciou ameaças de morte e faz seus discursos de campanha protegido por uma estrutura de vidro à prova de balas.
Paloma Valencia também revelou mensagens intimidatórias contra ela, o que levou o governo a reforçar sua segurança recentemente.
Petro diz haver informação sobre um plano de atentado contra seu aliado, Cepeda, favorito nas pesquisas de intenção de voto. O senador tem a marca da violência histórica do país em sua família: seu pai, Manuel Cepeda, foi assassinado na década de 1990, em Bogotá, quando também era senador, pelo Partido Comunista Colombiano.




